Passado

2018

Pintura Gestual, Informal, Caligráfica e/ou de Inspiração Zen

Eurico Gonçalves
Artistas Eurico Gonçalves
Curadoria Sara Antónia Matos / Pedro Faro
Data De 01/01/2018 a 30/04/2018
Folha de Sala

Resultante de várias visitas ao ateliê de Eurico Gonçalves, situado no complexo de ateliês da CML, nos Coruchéus, por cima da Galeria Quadrum, onde o artista chegou a expor há várias décadas – 1978 –, esta exposição, organizada pelas Galerias Municipais/EGEAC em articulação com a Direcção Municipal de Cultura da CML, mostra uma selecção alargada de trabalhos inéditos – pinturas sobre papel –, do início da década de 1960, que são identificados pelo próprio artista como sendo obras de pintura gestual, informal e/ou caligráfica de inspiração Zen. Estas obras estiveram na posse de Rui Mário Gonçalves, conhecido crítico e historiador da arte, irmão do artista, até à sua morte, em 2014.
Influenciadas pelo surrealismo e dadaísmo, e também pela filosofia budista Zen – em 1963, D. T. Suzuki, autor Zen japonês, foi nomeado para o Prémio Nobel da Paz –, as propostas de Eurico Gonçalves, desde há muitas décadas, desenvolvem pressupostos plásticos e pictóricos automáticos, espontâneos, por vezes marcadamente informais, de cariz anti-académico, numa formulação que a partir da década de 1960 dá origem a um abstracionismo lírico, gestual, de carácter muito intuitivo. Expondo a nudez do suporte – papel –, Eurico Gonçalves, usando apenas tinta-da-china, valoriza as qualidades semióticas das manchas sobre o papel e pensa no trabalho do artista como uma forma de abordar a vida e o seu fluxo, sublinhando a continuidade entre arte e vida, com diferentes intensidades, vazios, dinâmicas e ritmos.
Os mais de cinquenta desenhos expostos mostram, assim, um pequeno período de experiências levadas a cabo por Eurico Gonçalves, fortemente marcado pelas propostas plásticas internacionais que circulavam pelo tecido cultural europeu e internacional – o próprio artista assume as suas várias influências – que resultam essencialmente da relação entre o inconsciente e a vitalidade do gesto criativo, mais e menos contido, fomentando o livre fluir do material pictórico, valorizando as intervenções do acaso, negando a forma, na construção de uma obra “sem correcção nem retoque que, quanto a mim, encontra afinidades com a atitude vitalista Dádá”, como refere o próprio.

Biografia

Eurico Gonçalves nasceu em 1932, em Abragão, Penafiel. Pintor e crítico de arte, membro da AICA, aderiu ao surrealismo em 1949. Em 1950-51, escreveu e ilustrou narrativas de sonhos, textos automáticos e poemas, fundindo palavras, desenhos e colagens numa só forma de expressão. As suas figuras iniciais deram progressivamente lugar a simples sinais gráficos, abstratos, gestuais. A partir de 1964, iniciou a publicação de artigos de divulgação e estudos sobre a expressão livre da criança, o dadaísmo, o “zen”, e a Escrita. Em 1966/67, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, onde trabalhou com o pintor Jean Degottex. Em 1972, prefaciou uma importante exposição de pintura de Henri Michaux, em Lisboa. Neste ano entrou para os corpos diretivos da SNBA cargo que terminaria em 1992. Expôs individualmente pela primeira vez em 1954, na Galeria de Março, Lisboa. Participou em inúmeras exposições de arte portuguesa e internacional. A sua obra encontra-se representada, nomeadamente, no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, no Museu do Chiado, na Culturgest, Lisboa, no Museu Amadeo de Souza Cardoso, Amarante, e na Fundação Cupertino de Miranda, Famalicão.

Visita Guiada

Visita Guiada “Arte, Loucura e Saúde Mental”, pelo artista Eurico Gonçalves, todas as 4ªs feiras, das 16h às 18h.