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Topografias Rurais / Rural Topographies

Artistas Alberto Carneiro / Ana Lupas / Lala Meredith-Vula / Claire de Santa Coloma
Curadoria Tobi Maier
Inauguração 07/12/2019 17:00
Data De 08/12/2019 a 23/02/2020
Sobre a exposição

As Galerias Municipais apresentam na Galeria Quadrum a exposição “Topografias Rurais / Rural Topographies”, com curadoria de Tobi Maier. Esta exposição apresenta um núcleo na Galeria Diferença.

“Topografias Rurais” mostra analogias entre a obra de Alberto Carneiro e a de três artistas de gerações e contextos geográficos diferentes: Ana Lupas, Lala Meredith-Vula e Claire de Santa Coloma.

e Alberto Carneiro para um manifesto da arte ecológica foram originalmente redigidas como entradas do seu diário, entre dezembro de 1968 e fevereiro de 1972. Um período temporal num passado distante, pré-Chernobil e muito antes de o termo «permacultura» ter sido cunhado ou de os efeitos das aceleradas alterações climáticas começarem a ser sentidos. Numa altura em que testemunhamos uma crescente urbanização os artistas procuram no meio rural uma fonte de inspiração.

 

A exposição encontra-se dividida em duas secções, cobrindo uma variedade de suportes utilizados por Alberto Carneiro. No ano em que celebra o seu quadragésimo aniversário, a Cooperativa Diferença (de que Alberto Carneiro foi sócio e membro do núcleo fundador e onde realizou exposições individuais em 1979 e 1981) apresenta uma série de desenhos a grafite produzidos no final da carreira do artista e que nunca antes foram expostos. Estes trabalhos aludem às imediações do seu atelier, bem como às paisagens montanhosas do Norte de Portugal. São também apresentados três trípticos elaborados a partir do esmagamento, sobre papel, de pétalas de flores colhidas pelo artista no seu jardim em São Mamede do Coronado, perto do Porto.

A segunda secção da exposição, instalada na Galeria Quadrum (onde o artista realizou cinco exposições individuais entre 1975 e 1983), evoca os gestos performativos do artista. Como a balsa da medusa, o centro do espaço da galeria é ocupado por “Metáforas da água ou as naus a haver por mares nunca de antes navegados” (1993-1994), juntamente com trabalhos e documentação derivados da sua “Operação estética em Vilar do Paraíso”, realizada em março de 1973 numa localidade nas imediações de Vila Nova de Gaia.

 

Os trabalhos de Claire de Santa Coloma fazem referência à obra de Alberto Carneiro e à do escultor franco-romeno Constantin Brâncuși. Para Santa Coloma, o processo da escultura é um ato de resistência. Situadas no espaço urbano, as suas rotinas diárias fazem alusão às de um agricultor ou de um artesão. A prática da cinzelagem manifesta-se como quase terapêutica e decididamente espiritual.

Ana Lupas criou as suas esculturas de forragens, sobretudo em formas circulares, em colaboração com comunidades de aldeias da Transilvânia. Concebida a partir de 1964 para um ambiente exclusivamente rural, a obra “The Solemn Process” consiste numa série de estruturas corpóreas prototípicas de várias dimensões, feitas a partir de materiais perecíveis, como palha de trigo, cânhamo, algodão, madeira e metal.

Por fim, as fotografias de Lala Meredith-Vula pertencentes à série “Haystacks” (iniciada em 1989 e ainda em curso) também emergem no leste europeu, um contexto que está longe de ser homogéneo e que ainda hoje se debate com a desordem resultante da dissolução dos regimes autoritários após a queda da Cortina de Ferro, há trinta anos atrás, no ano de 1989.

Lupas, que foi alvo de repressão por parte do regime comunista, durante o seu processo de criação a partir de meados da década de 1970, executou as suas esculturas em colaboração com diversos habitantes locais, enquanto a investigação e representação de palheiros empreendida por Meredith-Vula ao longo de uma década também lhe permitiu aproximar-se do povo da Albânia, terra nativa do seu pai.

Os visitantes poderão considerar estas posições artísticas semelhantes na forma, mas, todavia, diferentes quanto à sua conceção histórica. Em conjunto, criam uma rede de diferentes abordagens ado rural, ao mesmo tempo que chamam a atenção para preocupações ecológicas. Estas obras constituem poderosos significantes num discurso global sobre o regionalismo, constituindo, igualmente, um apelo (poético) à ação no âmbito do nosso ambiente natural.

A exposição pode ser vista na Galeria Quadrum de terça a sexta-feira, das 14h30 às 19h e ao sábado e domingo das 10h às 13h e das 14h às 18h, até 23 de fevereiro 2020.

A exposição pode ser vista na Galeria Diferença na Rua S. Filipe Nery, 42 C/V 1250-227 Lisboa entre terça e sexta 14h-19h e aos sábados entre 15h e as 20h, até 8 de fevereiro 2020.

A Galeria Diferença e as Galerias Municipais agradecem o apoio da Fundação Carmona e Costa na edição do catálogo.

 

English version

Alberto Carneiro’s notes for a manifesto of ecological art were originally penned as entries in his diary between December 1968 and February 1972. This is a distant past, pre-Chernobyl and long before the term ‘permaculture’ was coined or the effects of accelerated climate change could be felt. While we are witnessing increasing urbanisation artists have also sought out the rural realm as a source of inspiration. Rural Topographies | Topografias Rurais presents analogies between the work of Alberto Carneiro and three artists from different generations and geographical contexts: Ana Lupas, Lala Meredith-Vula and Claire de Santa Coloma.

The exhibition is divided into two chapters, covering a variety of media employed by Alberto Carneiro. Celebrating its fortieth birthday this year, Cooperativa Diferença (where Carneiro was a member and held solo shows in 1979 and 1981) presents a series of graphite drawings produced towards the end of the artist’s career and which have never been exhibited before. These works hint at the immediate surroundings of his studio and the hilly landscapes of Northern Portugal. Also presented are three triptychs produced by pressed flower petals that were plucked by Carneiro from plants in his garden in São Mamede do Coronado near Porto.

The second exhibition chapter, installed at Galeria Quadrum (where Carneiro held five solo exhibitions between 1975 and 1983), evokes Carneiro’s performative gestures. Like the raft of the medusa, installed at the centre of the gallery space one encounters Metáforas da agua ou as naus a haver por mares de antes navegados, (Metaphors of water or, The ships yet-to-be by oceans where none have ventured , 1993-1994) alongside works and documentation stemming from his Operação estetica em Vilar do Paraíso (Aesthetic Operation in Vilar do Paraíso, 1973), which was performed during March 1973 near Vila Nova de Gaia.

Claire de Santa Coloma’s work references Carneiro as well as Romanian-French sculptor Constantin Brâncuși. For Santa Coloma, the process of sculpting is an act of resistance. Situated within the urban, her daily work routines allude to those of a farmer or craftsman. The practice of chiselling appears to be almost therapeutic and decidedly spiritual.

Ana Lupas created her fodder sculptures mostly in the form of wreaths and in collaboration with the communities of Transylvanian villages. Conceived in 1964 for an exclusively rural environment, The Solemn Process consists of a series of prototypical corporeal structures of various dimensions made of perishable materials such as wheat straw, hemp, cotton, wood and metal.

Finally, Lala Meredith-Vula’s photographs from the Haystacks series (1989 -ongoing) are also set within an Eastern European context that is far from homogenous and which is still battling the turmoil brought about by the dissolution of authoritarian regimes following the fall of the iron curtain thirty years ago in 1989.

If Lupas suffered repression when creating works during the communist era from the mid-1970s onwards and collaborated with many locals for her sculptures, Meredith-Vula’s decade long research and portrayal of haystacks also brought her closer to the people of her father´s native Albania.

Viewers can consider the artistic positions as similar in form yet different in historical conception. They create a network of different approaches to the rural and simultaneously call attention to ecological concerns. The works constitute potent signifiers within a global discourse of regionalism as well as representing a call to (poetic) action within our natural environment.

Galeria Diferença and Galerias Municipais acknowledge the support of Fundação Carmona e Costa towards the forthcoming publication.

Gallery hours at Quadrum are from Tuesday to Friday, 2.30 – 7pm and on weekends between 10am –  1pm and from 2 – 6pm. Galeria Diferença: Tuesday to Friday 2 – 7pm and Saturdays from 3 – 8pm

 

Biografia

Alberto Carneiro (São Mamede de Coronado, 1937 – Porto, 2017) foi um artista português.

Ana Lupas nasceu em Cluj, em 1940, onde vive e trabalha.

Lala Meredith-Vula nasceu em Sarajevo, em 1966. Vive e trabalha em Leicester.

Claire de Santa Coloma nasceu em Buenos Aires, em 1983. Vive e trabalha em Lisboa.

 

 

Alberto Carneiro (São Mamede de Coronado, 1937 – Porto 2017) was a Portuguese artist.

Ana Lupas was born in Cluj in 1940. She lives and works in Cluj.

Lala Meredith-Vula was born in Sarajevo in 1966. She lives and works in Leicester.

Claire de Santa Coloma was born in Buenos Aires in 1983. She lives and works in Lisbon.