Presente

Pavilhão das Formas Sociais

Mariana Silva
Artistas Mariana Silva
Curadoria Margarida Mendes
Data De 16/11/2018 a 27/01/2019
Folha de Sala

Pavilhão das Formas Sociais problematiza a relação histórica entre sociedades animais e humanas, analisando o movimento de enxames e multidões, e algumas das suas mutações recentes. O pavilhão compara coletivos humanos e insetos sociais, — como formigas e abelhas — e como a relação porosa entre natureza e cultura permeia políticas sociais, noções de tecnologia, e o desenvolvimento da inteligência artificial. Numa era em que o controlo e a vigilância não se parecem opor aos ideais de horizontalidade e imanência: de que forma é que visões tecno-utópicas informam sistemas tecnológicos vigentes? Quando é que estes reconfiguram o espaço de potencialidade do corpo político e quando é que estes se tornam numa ideologia?

A história dos insetos sociais coloca questões sobre instinto, opostas em termos evolucionários à inteligência desde Darwin, representando estranheza e alteridade em contraposição à inteligência humana. Perguntando como é que a inteligência animal ou o comportamento de multidões podem ser reinterpretados na era algorítmica, esta exposição cruza eixos de reflexão, que se encadeiam nos vários espaços do pavilhão.

A série de novas comissões de Mariana Silva continua a temática que a artista desenvolveu no ano passado, sob forma de ficção especulativa, em Olho Zoomórfico, ampliando-a em diferentes obras. Nesta exposição, a artista parte de um léxico visual composto por imagens documentais, dando primazia à referenciação cruzada de materiais e cronologias científicas e biopolíticas, incluindo elementos como a ficção série B de Hollywood. Nas salas do piso térreo do pavilhão encontramos uma série de ecrãs justapostos às janelas do jardim, onde podemos ver excertos de filmes e animações que incorporam narrativas com insetos, formigas, multidões, e boids ou enxames.

Ambas as salas incluem também uma série de réplicas de formigueiros da espécie Pogonomyrnex badius em metal e papier-maché, elaboradas pelo artista Edgar Pires. Formigueiros estes que partem das formas obtidas pelo mirmecologista Walter Tschinkel, que ao fazer o levantamento dos mesmos preenche com metal fundido os orifícios cimeiros do formigueiro, revelando a matriz do espaço negativo escavado e a complexidade da sua arquitectura.

Nestas salas podemos observar a relação entre as esculturas e os vídeos tendo como pano de fundo o jardim, enquanto acedemos a entrevistas com teóricos como Charlotte Sleigh, autora de Six Legs Better: A Cultural History of Myrmecology (2007), Jussi Parikka, autor de Insect Media: An Archaeology of Animals and Technology (2010), Tania Munz, autora de The Dancing Bees: Karl Von Frisch and the Discovery of the Honeybee Language (2016), e o teórico cultural Stefan Jonsson autor de A Brief History of the Masses: Three Revolutions (2008). No mesmo piso encontramos também uma cronologia que inclui referências sobre a história social dos insetos e multidões.

No andar superior do Pavilhão das Formas Sociais é mostrado um novo vídeo, Enxame/Turba, que justapõe o interesse de diferentes áreas de estudo de formas imanentes, seja na tecnologia, biologia ou filosofia, perguntando com Donna Haraway se “haverá uma unidade de análise mais pequena do que a relação?” e propondo uma reflexão sobre a mutação na nossa conceção de corpo político. Este filme é apresentado num ecrã semiesférico convexo que distorce a imagem original.

Apresenta-se também “Do ponto de vista do mamífero”, uma peça desenvolvida pela artista em 2017, onde podemos ver um inseto a ser indexado num museu, enquanto uma voz off nos reporta para a perspetiva de mentes não-humanas, sejam elas animais, alienígenas, ou robóticas, e onde conseguimos encarnar o ponto de vista de um inseto, ou mamífero mutante, na reificação da sua própria singularidade ocular.

Esta exposição teve o apoio de Fablab Lisboa.

Agradecimentos:
Christian Bosch, Luis Coelho, Duarte Crawford, Paulo Crawford, Aveline De Bruin, Pedro Góis, Bernardo Gaeiras, Gonçalo Gama Pinto, Stefan Jonsson, Joana Manuel, Nuno Marques, Margarida Mendes, Tania Munz, Pedro Neves Marques, Jussi Parikka, Edgar Pires, Craig Reynolds, Charlotte Sleigh, Walter Tschinkel, e Flávia Violante.

Biografia

Mariana Silva formou-se na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Apresenta regularmente a sua obra em exposições individuais e coletivas, em contexto nacional e internacional. Destacam-se as exposições individuais: Olho Zoomórfico (2017, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa), Audience Response Systems (2014, Parkour, Lisboa); Ambientes (2013, e-flux, Nova Iorque), com Pedro Neves Marques; A organização das formas (2011, Kunsthalle Lissabon, Lisboa). Colaborou em várias mostras coletivas como: Bienal de Gwangju, (2016, Gwangju, Coreia); HYPERCONNECTED (2016, V Moscow International Biennial for Young Art at MMOMA—Moscow Modern Art Museum); Prémio EDP Novos Artistas, (2015, Fundação EDP, Lisboa), Europe, Europe, (2014, Astrup Fearnley Museum, Oslo); IndieLisboa, Festival Internacional de Cinema Independente de Lisboa, (2012, Cinemateca de Lisboa, Lisboa).

Mariana Silva foi vencedora do prémio EDP Novos Artistas 2015 (Lisboa) e BES Revelação 2008 (Porto). Esteve em residência na Gasworks, Londres (2016) e ISCP, Nova Iorque (2009). Juntamente com o artista e escritor Pedro Neves Marques, desenvolve inhabitants, um canal online com reportagens exploratórias em vídeo e documentário (http://inhabitants-tv.org/).

Margarida Mendes é curadora, educadora e activista. A sua pesquisa – com enfoque no cruzamento da cibernética, filosofia, ecologia e filme experimental – explora as transformações dinâmicas do ambiente e o seu impacto nas estruturas sociais e no campo da produção cultural. Integrou a equipa curatorial da 11ª Bienal de Gwangju (2016) e da 4ª Bienal de Design de Istanbul (2018). Dirigiu várias plataformas educacionais, tais como escuelita, uma escola informal no Centro de Arte de Mayo (CA2M), Madrid (2017), o projeto The Barber Shop em Lisboa (2009-15), e a plataforma de pesquisa curatorial e investigação ecológica, The World In Which We Occur (2014-). Correntemente é doutoranda no Centre for Research Architecture, Visual Culture Department, Goldsmiths University of London.

Visita Guiada

Visitas Guiadas ao Sábado
8, 15, 22 e 29 Dezembro / 5, 12, 19 e 26 Janeiro
15h30 às 16h30

Público Geral
Gratuita

 

Visitas Guiadas Escolas

Ensino Secundário e Ensino Superior

de terça a sexta-feira

Marcação Prévia: serviçoeducativo@galeriasmunicipais.pt