Galeria Boavista

Bad Behaviuouor

Artistas Adriana Proganó
Curadoria Sara Antónia Matos e Pedro Faro
Inauguração 12/09/2019 18:00
Data De 13/09/2019 a 10/11/2019
Sobre a exposição

A exposição “BAD BEHAVIUOUOR” [Mau Comportamento] de Adriana Proganó, na Galeria da Boavista, propõe uma imersão crítica no universo da pintura e da arte, na qual se exploram o descontrolo dos comportamentos e se valorizam os impulsos, a liberdade da acção humana, a desconstrução de cânones e da prática da arte. A artista mostra várias pinturas a óleo sobre tela, numa montagem original animada por vários elementos decorativos e cenográficos, nomeadamente uma obra-tapete e uma obra-escada que configuram a experiência do espaço e da exposição como instalação.

Nas suas pinturas, e na forma como pensa o espaço na pintura, Adriana Proganó experimenta até onde pode ir a elasticidade dos corpos e das emoções, o limite da artificialidade, quebrando, de certo modo, uma determinada sensação de tédio na produção cultural. O significado de cada uma destas obras e situações propostas, reacções a uma ideia de mundo regular, como lugar incompreensível, surge de uma ponderação aparentemente ingénua sobre vários dilemas contemporâneos, questionando os padrões, grelhas e regras a que somos subtilmente submetidos. Somos confrontados com o lado não normativo da existência, um universo onde a sexualidade e as pulsões se manifestam sem restrições. As suas pinturas são habitadas por figuras – auto-retratos? – em posições aparentemente insólitas ou pouco convencionais, muitas vezes de pernas abertas e saias levantadas, desafiando escrúpulos e pudores sociais.

Através de registos absurdos, Adriana Proganó manipula e articula constantemente estereótipos e violentos clichés que se repetem de forma mecânica e circular na sociedade, criticando o lugar do feminino e dos “bons comportamentos” que lhe estão votados: o lugar grotesco, sem significado e sem liberdade genuína em que estamos inseridos. Assim, a artista destabiliza a representação ideológica do mundo através de figurações e expressões pictóricas satíricas, fantásticas e hilariantes.

Há cerca de 100 anos, Hugo Ball, autor do manifesto Dada, de 1916, e fundador do Cabaret Voltaire, referia que “numa época como a nossa, em que as pessoas são agredidas diariamente pelas coisas mais monstruosas, sem que possam registar as suas impressões, impõe-se o caminho da produção estética. Toda a arte viva, contudo, será irracional, primitiva, complexa: falará uma língua secreta e deixará documentos não edificantes, mas paradoxais”.

O universo artístico e imagético de Adriana Proganó é povoado de emoções latentes e explícitas que ousam expressar e dar forma à ideia de prazer, ironia, gozo, desejo, coragem e desespero. A ambiguidade narrativa destas obras vem da vontade de explorar contradições inerentes à construção da identidade na actualidade, de fazê-lo contra a norma do “bom comportamento” e a rigidez das convenções sociais. Entre a banalidade absoluta e o “absurdo”, estas obras procuram problematizar o sentido da pequena existência, no limite do incompreensível e paradoxal, contrariando a linearidade, as instruções estabelecidas e as normas instaladas, os modos de uso, expondo a fragilidade conceptual da regra. Proganó reclama uma outra dimensão para a arte e para a existência, sem tempo e espaço definido. Nas suas pinturas podemos dizer que “tudo mexe, tudo vive, tudo se agita, tudo se atropela. Tudo se encontra. As próprias abstracções mostram-se desgrenhadas e cobertas de suor. Nada permanece imóvel. Nada se pode isolar. Tudo é actividade, actividade concentrada, forma” (Blaise Cendrars, Moravagine).

 

ENG

The exhibition “BAD BEHAVOUOUOR” by Adriana Proganó, on view at the Boavista Gallery, offers visitors a critical immersion in the world of painting and art, exploring uncontrolled behaviour, showcasing impulses and human freedom of action, and deconstructing canons and artistic practice. The artist presents several oil paintings on canvas, which are installed in an original manner employing a number of decorative elements and props, including a carpet and a staircase, which lend the exhibition the feel of an installation.   

In her paintings, as well as in her approach to deal with space in painting, Adriana Proganó explores the extent to which bodies and emotions are elastic, testing the limits of artificiality and in a certain sense breaking away from the sensation monotony in cultural production. The meaning of each of the works and situations on display, reactions to the idea of an orderly world as an incomprehensible place, emerges from an apparently naive consideration of a number of contemporary dilemmas, questioning the patterns, frameworks and rules to which we are subtly subjected. We are faced with the non-normative side of existence, a universe in which sexuality and impulses are exhibited without restriction. Her paintings are inhabited by figures – perhaps self-portraits – in positions which appear unusual or unconventional, often with their legs open and skirts raised, challenging social scruples and conventions.

Drawing on the absurd, Adriana Proganó constantly juggles and articulates stereotypes and powerful clichés which reappear in society in a mechanical, circular manner, critiquing the role of women and the ‘good behaviour’ that is expected from them: the grotesque and meaningless context, in which we live without real freedom. Thus the artist disrupts ideological representations of the world using satirical, fantastical, hilarious figurations and pictorial expressions.

More than 100 years ago, Hugo Ball, author of the 1916 Dada Manifesto and founder of Cabaret Voltaire, said: “In an age like ours, when people are assaulted daily by the most monstrous things without being able to keep account of their impressions, aesthetic production becomes a prescribed course. But all living art will be irrational, primitive, complex: it will speak a secret language and leave behind documents not of edification but of paradox.” (Diary, Hugo Ball, 25 November 1915)

Adriana Proganó’ artistic and visual universe is inhabited by latent and explicit emotions which daringly express and give substance to the idea of pleasure, irony, joy, desire, courage and despair. The narrative ambiguity of these works derives from the artist’s eagerness to explore the inherent contradictions involved in modern-day identity construction, fighting the principle of ‘good behaviour’ and the rigidity of social conventions. Ranging from the utterly banal to the ‘absurd’, these works seek to challenge the meaning of everyday existence, amid the incomprehensible and the paradoxical, countering linearity, established rules, deeply rooted norms and modes of use, and exposing the conceptual fragility of rules. Proganó demands a different dimension for art as well as existence, in which neither time nor space are defined. In her paintings, we could say, “everything is moving, everything is alive, everything stirs, everything collides. Everything comes together. Abstractions themselves appear disarranged and saturated with sweat. Nothing remains still. Nothing can be isolated. Everything is activity, concentrated activity, form.’’ (Blaise Cendrars, Moravagine).

 

*Por opção expressa dos autores, o texto não foi escrito segundo o Acordo Ortográfico de 1990

Biografia

De nacionalidade Luso-Italiana, Adriana Proganó (1992) nasceu na Suíça e vive e trabalha nas Caldas da Rainha. Licenciada em Artes Plásticas pela Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha (ESAD), em 2017, desenvolveu estudos de pintura da Accademia di belli arti, em Veneza, durante 2015 e 2016. Está neste momento a terminar o mestrado de Artes Plásticas na ESAD.

Realizou a sua primeira exposição individual, ‘’Garden’’, na Galeria Lehmann Silva, no Porto, em 2018. Participou em várias exposições colectivas, entre elas, a Bienal de Arte de Cerveira, em 2017, e a exposição ‘’take the risk’’ no Tómas Hipólito Studio, em 2019.

Of Portuguese and Italian descent, Adriana Proganó (*1992) was born in Switzerland and lives and works in Caldas da Rainha. She graduated in Visual Arts from the Escola Superior de Artes e Design in Caldas da Rainha (ESAD) in 2017, and studied painting at the Accademia di Belli Arti in Venice between 2015 and 2016. She is currently completing her Master’s degree in Visual Arts at ESAD.

Her first solo exhibition, ‘Garden’, was on view at Lehmann Silva Gallery in Porto in 2018. She has also participated in several group exhibitions, including the 2017 Cerveira Art Biennial and the exhibition ‘Take the Risk’ at Tomás Hipólito’s Studio in 2019.

Mediação

“Blá, blá, blá”

Instalação Sonora e Performance com Eduardo Ferreira / Sound installation and performance with Eduardo Ferreira

sábado, 26 outubro às 17h

Saturday, October 26 at 5 pm

 


Vista de exposição

Vista de exposição

Vista de exposição

Adriana Proganó, "Sem título", 2019

Adriana Proganó, "Sem título", 2019

Adriana Proganó, "Sem título", 2019

Adriana Proganó, "Sem título", 2019

Adriana Proganó, "Heaven twist", 2019

Adriana Proganó, "Sem Título", 2018

Adriana Proganó, "Jogo da Macaca", 2019

Adriana Proganó, "Ice skating winners"

Adriana Proganó, "Sem título", 2019

Adriana Proganó, "Sem título", 2019

Adriana Proganó, "Sem título", 2019

Adriana Proganó, "Mocking Stairs", 2019