– 11.01.2026
A exposição Dois Stereos apresenta duas obras do artista João Pimenta Gomes, unidas pela ideia de um “assombro” do som. A prática do artista parte de referências do universo musical para explorar a relação entre som, espaço e perceção, bem como as histórias profundas — por vezes ocultas — inscritas nas tecnologias sonoras.
No piso térreo da galeria, encontra-se a réplica de um dispositivo sonoro — o Western Electric 16A, uma corneta acústica originalmente concebida para a reprodução monofónica de som em salas de cinema nos anos 1920. Inspiradono conceito de “mock stereo”, este objeto austero e imponente, construído pelo artista, emite composições de duração fixa mas perceção variável, recorrendo à síntese modular numa espécie de diálogo entre passagens sonoras fugazes.
Peça central na transição do cinema mudo para os filmes sonoros, este objeto continua a libertar vestígios degradados da voz humana, dentro de um intervalo acústico especialmente sensível ao ouvido humano.
No último piso da galeria, uma escultura sonora acústica habita um território entre o sopro e a síntese. O Cristal Baschet é um instrumento composto por vidro e metal, desenvolvido pelos irmãos Baschet na década de 1950. Produz som quando dedos húmidos friccionam varas de vidro, transmitindo vibrações por hastes metálicas até um complexo sistema de ressonadores passivos — cones de alumínio, folhas de metal e difusores de fibra de vidro. Um antecessor deste instrumento, a Glass Harmonica, chegou a ser associado a episódios de loucura em quem o tocava ou escutava.
O artista reaproveita os cones ressonadores do Cristal Baschet como amplificadores acústicos passivos. Materiais de voz previamente gravados — processados e modulados — são transmitidos para estas esculturas em forma de pétala; o corpo ressonante do Baschet torna-se assim um filtro vibrante por onde o som é emitido e reencarnado.
Descarregue aqui a Folha de Sala para Crianças.
– 11.01.2026


