Ernesto de Sousa, Exercícios de Comunicação Poética com Outros Operadores Estéticos

José de Almada Negreiros, Oficina Arara, Pedro Barateiro, Isabel Carvalho, Salomé Lamas, Hanne Lippard, Sarah Margnetti, Franklin Vilas Boas Neto, Rosa Ramalho, Nils Alix-Tabeling, Nora Turato, Treffen in Guincho*, Ricardo Valentim

1/9

* Filipe André Alves, Hugo Canoilas, Clothilde, Vasco Futscher, Sophia Hörmann, Fernando Mesquita, Thea Möller, Nikolai Nekh, Sofia Montanha, Pedro Diniz Reis, Maddison Rowe, Andreia Santana e Anna Schachinger

Abertura – Sábado, 27.11

15h – Galeria Quadrum
My body, this paper, this fire
performance de Pedro Barateiro
com João dos Santos Martins

17h – Galeria Avenida da Índia
Nós Não Estamos Algures
leitura de poesia

Ernesto de Sousa (1921-1988) foi uma figura multifacetada e muito importante da vanguarda portuguesa, artista, poeta, crítico, curador, editor, cineasta e promotor de ideias e expressões artísticas experimentais. Esta exposição, organizada por ocasião do centenário do nascimento de Ernesto de Sousa, pretende prestar homenagem à sua abordagem caleidoscópica da arte através de um diálogo intergeracional e trans-histórico com a sua obra e os seus arquivos.

Refletindo sobre questões como a hierarquia, a autoria e a complexidade de enquadrar, encapsular ou dividir as múltiplas e complementares práticas de Ernesto de Sousa – cujo lema «O Teu Corpo é O Meu Corpo, O Meu Corpo é O Teu Corpo» funciona como manifesto poético –, esta exposição apresenta os diferentes aspetos da sua obra (visual, poética e teórica) e a sua extraordinária capacidade de criação de conceitos. As obras, os arquivos e os textos serão objeto de releituras, aliterações, deslocações e ativações realizadas por meio de intervenções pontuais de artistas contemporâneos portugueses e internacionais na qualidade de diversos «operadores estéticos».

O projeto revisita a primeira exposição individual que o artista realizou em Portugal, na Galeria Quadrum, em 1978 – A Tradição como Aventura, apresentada há 43 anos neste mesmo local –, bem como uma seleção de obras e projetos interativos, coletivos e curatoriais realizados entre as décadas de 1960 e 80 e apresentados agora no espaço da Galeria Avenida da Índia. Esta exposição dupla convoca noções-chave do pensamento simpoiético, não linear e aximorónico de Ernesto de Sousa, bem como as suas contranarrativas de oposição aos dualismos do pensamento e do ser, refletindo inúmeras preocupações contemporâneas relacionadas com noções de pluriversalidade e imaginário descolonial.

O passado como experiência do futuro (A Tradição como Aventura), a questão do género e dos binarismos (Changement de genre), a relação com a imagem fotográfica e com o texto (numa polifonia de linguagens), as noções de erotismo e de revolução como forças dissidentes e transgressivas (Revolution My Body), bem como um interesse pela periferia, a oralidade e a estética do fragmento são elementos da obra de Ernesto de Sousa que revelam a sua conceção do mundo: aberta, crítica e inovadora.

Tomando como inspiração o subtítulo da obra coletiva de técnica mista Nós Não Estamos Algures, Exercícios sobre a poesia comunicação, apresentada no Clube de Teatro de Algés em dezembro de 1969, o título e o formato desta exposição visam desafiar a habitual dinâmica e linearidade da exposição retrospetiva e monográfica. Num exercício transformativo e anacrónico, obras de arte, documentos, peças sonoras, textos, leituras, performances e filmes são apresentados em analogia com a produção labiríntica de Ernesto de Sousa, oferecendo uma experiência convivial, liminar e inclusiva: “O encontro e o conhecimento mútuo, a procura de um consenso”1

1 Ernesto de Sousa, no Comunicado da exposição Alternativa Zero de 1977.

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