Existem pedras nos olhos

Alice Geirinhas

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Alice Geirinhas tem desenvolvido um percurso expositivo discreto, paralelo ao sistema institucional e comercial da arte, e maioritariamente centrado na apresentação de projectos especialmente concebidos para contextos independentes e de forte envolvimento colectivo. Simultaneamente, tem afirmado um manifesto interesse pela individualidade e pelas possibilidades de representação da subjectividade, procurando promover interessantes ligações entre a sua prática e a recuperação de uma linhagem de outras artistas/ mulheres que a antecederam.

Com a apresentação de uma selecção de obras datadas de vários períodos – e que se desdobram por vários media (do desenho à pintura, das artes gráficas à ilustração, do vídeo à instalação) – a exposição Existem pedras nos olhos pretende a criação de universos dialógicos que permitam uma reflexão acerca da forma como tem vindo a investigar os assuntos da identidade, da sexualidade, da igualdade de género, da resistência ao histórico, da política inerente ao privado e da poética inerente ao político. A permanente revisão histórica que procura promover nas suas intervenções, e os ambientes de reflexão socio-política que vai convocando, trazem à sua obra uma tensão, colocando o espectador numa posição de inquietação e permanente desconforto. O humor, os jogos de linguagem, as citações encriptadas, as referências infantis e juvenis, os recursos gráficos, a história da arte, a literatura, o cinema e a cultura popular são estratégias a que recorre com frequência para a constituição de um léxico artístico próprio e particularmente idiossincrático.

Biografia

Alice Geirinhas

Évora, 1964

No campo da criação e investigação artística tem desenvolvido um corpo de trabalho a partir da teoria feminista intersecional sobre identidade, sexualidade, igualdade de género, resistência ao histórico, da ideia do pessoal é político e da poética do político, traduzido em vários media: desenho, livro de artista, fanzines, vídeo e instalação.

À sua primeira exposição individual em 1995, A Nossa Necessidade de Consolo É Impossível de Satisfazer, Zé dos Bois (ZDB) seguiram-se (entre outras), Alice, Bedeteca de Lisboa; Ce sex qu’est pas un, Museu do Neo-realismo, Vila Franca de Xira, Chora, Gaivotas 6, Lisboa.

De entre as exposições colectivas que integrou destacam-se: Ver no Escuro, CAA, Águeda, 15 Anos de MACE- Aqui Somos Rede, Elvas, 2012-2020 obras da Coleção António Cachola, MACE, Elvas, Ponto de Fuga/Vanishing Point, Cordoaria Nacional, Lisboa, A Guerra como Modo de Ver, MACE, Elvas, Género na Arte: corpo, sexualidade, identidade e resistência, MNAC, Lisboa, Re-produtores de Sentido, SESC Rio, Rio de Janeiro, Portugal: 30 Artists Under 40, The Stenersen Museum, Oslo, Em Torno de Camilo – II Bienal de Famalicão, Fundação Cupertino de Miranda, Bienal de Jovens Artistas, Rijeka, Croácia.

Está representada em diversas coleções públicas e privadas e o seu trabalho é regularmente publicado em livros e revistas especializadas.

Ana Anacleto

Lisboa, 1975

Licenciada em Escultura, pela FBAUL e pós-graduada em Estudos Curatoriais, pela FBAUL/ Gulbenkian. Bolseira na HdK (Universidade de Berlin). Actualmente, é doutoranda em Arte Contemporânea no Colégio das Artes – Universidade de Coimbra.

Foi técnica especializada em arte contemporânea no IAC-MC (2001-2003), assistente e coordenadora do estúdio de Julião Sarmento (2003-2015), curadora e coordenadora curatorial no MAAT/ Fundação EDP (2015-2018) e curadora e programadora de artes visuais no CAV, em Coimbra (2020-2023) onde concebeu e apresentou o ciclo de exposições “Museu das Obsessões”.

Desenvolve a sua actividade como curadora independente (desde 2003), tendo concebido projectos curatoriais e editoriais para diversos museus e instituições nacionais e internacionais: Museu de Serralves, Fundação Calouste Gulbenkian, Culturgest, Museu Colecção Berardo, MACE, CAV, CAPC, Colégio das Artes, Atelier-Museu Júlio Pomar, Fidelidade Arte, Fundação Carmona e Costa, Galerias Municipais de Lisboa, Quartel da Arte Contemporânea de Abrantes, MIAA, Centro de Artes de Águeda, Centro de Arte Oliva, Galeria Municipal de Torres Vedras, ZDB, Fundação PLMJ, Palacete de São Bento/ Residência Oficial do Primeiro Ministro de Portugal, Instituto Camões, Appleton Square, Travessa da Ermida, LUX Frágil, Krinzinger Projekte (Wien), ArteInstitute (NY), Galeria 3+1, Galeria Nuno Centeno, Galeria Cristina Guerra Contemporary Art, Galeria Caroline Pagés, Galeria Presença, Galeria Lehmann+Silva ou Gabinete Giefarte,.

Foi membro da Comissão para Aquisição de Arte Contemporânea da Colecção do Estado – MC (biénio 2021-2022). Actualmente é membro da Comissão para Aquisição de Arte Contemporânea da Colecção da EGEAC – Câmara Municipal de Lisboa.

Realizou investigação, análise e consultoria para colecções privadas.

Publicou ensaios, textos e artigos em catálogos e monografias; colaborou com as revistas XXI – Ter Opinião, Pangloss, L+Arte, Umbigo e Contemporânea; realizou comunicações públicas em conferências, seminários e eventos académicos; realizou visitas guiadas temáticas em colaboração com várias instituições museológicas; foi membro de júris de premiação e selecção para Prémios, Bolsas de Investigação e Residências Artísticas; e realizou diversas conversas públicas com artistas no âmbito de vários projectos expositivos.

É curadora residente e responsável pelo programa de tutorias no projecto de residências artísticas RAMA.

Lecciona, desde 2019, a cadeira “Práticas de Curadoria” na Pós-graduação em Curadoria, na FCSH – NOVA, em Lisboa e, desde 2023, a cadeira “Arte e Contemporaneidade” no Mestrado em Artes Plásticas, na ESAD.CR, Caldas-da-Rainha.

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