Passado

2019

 

2018

 

 

 

João Louro

Ni le soleil ni la mort
Artistas João Louro
Curadoria Nuno Faria
Inauguração 14/05/2019 18:30
Data De 15/05/2019 a 01/09/2019
Folha de Sala

 

As Galerias Municipais apresentam Ni le soleil ni la mort, de JOÃO LOURO, no Pavilhão Branco.

A exposição tem curadoria de Nuno Faria e será o culminar de um longo e exaustivo trabalho de quatro anos de pesquisa e produção artística.

Na inauguração serão lidos os poemas dadaístas Karawane e Totenklage de Hugo Ball e Ursonate de Kurt Schwitters,

por Hibou de Gris.

 

 

No Pavilhão Branco, propõe-se a apresentação de um conjunto de obras que resultam de um interesse que o artista tem vindo a desenvolver sobre uma das principais batalhas da Primeira Guerra Mundial – a batalha de Verdun (1916) – e todas as suas consequências, alinhando este fenómeno com o aparecimento das vanguardas artísticas do princípio do século XX. É um trabalho meticuloso, denso, e que começa a deixar um rasto físico em obras produzidas.

A exposição contém desenhos, fotografias e objetos, articulados numa reflexão sobre as consequências da guerra na arte, para procurar aí o cordão umbilical da nossa herança cultural, baseando a pesquisa na relação inextricável entre o conflito de 14-18 e o nascimento do movimento Dada, em Zurique.

 

“Só conhecendo a razão das vanguardas e as causas do seu aparecimento poderemos ter as

ferramentas necessárias para ler e compreender a contemporaneidade. Somos os seus directos herdeiros, e saber de onde vimos e porquê é essencial para o entendimento do presente e da arte contemporânea.”

João Louro

 

 

 

 

Biografia

João Louro nasceu em Lisboa em 1963, onde vive e trabalha. Estudou arquitetura na Faculdade de Arquitetura de Lisboa e Pintura na Escola Ar.Co. O seu trabalho engloba pintura, escultura, fotografia e vídeo.

Descendente da arte minimal e conceptual, tem uma atenção especial às vanguardas do início do séc XX. O seu trabalho traça uma topografia do tempo, com referências pessoais mas, sobretudo, geracionais. Utiliza como fonte recorrente a linguagem, a palavra escrita, e procura fazer uma revisão da imagem na cultura contemporânea, a partir de um conjunto de representações e símbolos do universo visual coletivo. O minimalismo, o conceptualismo, a cultura pop, o estruturalismo e pós-estruturalismo, autores como Walter Benjamin, Guy Debord, Georges Bataille, Blanchot ou artistas como Donald Judd ou Duchamp, formam o léxico através do qual João Louro se exprime.

Foi o representante de Portugal na Bienal de Veneza de 2015, com a exposição I Will Be Your Mirror | Poems and Problems.

Visita Guiada

 

Visitas Mediadas Gratuitas

Abordagens e Processos na Arte Contemporânea

Escolas – Ensino Secundário e Superior – Atividade adaptável aos 1º, 2º e 3º ciclo

de terça a sexta-feira

Marcação Prévia: servicoeducativo@galeriasmunicipais.pt

 

 

©José Frade/ EGEAC

As Coisas do Mundo são Rocha

Artistas Maria Capelo
Curadoria João Pinharanda
Inauguração 09/02/2019 17:00
Data De 10/02/2019 a 28/04/2019
Folha de Sala

As Galerias Municipais / EGEAC inauguram no próximo dia 9 de fevereiro, às 17h, no PAVILHÃO BRANCO, a exposição As Coisas do Mundo são Rochas, de MARIA CAPELO com curadoria de João Pinharanda.

Esta exposição ocupa os espaços dos dois pisos do Pavilhão Branco de forma diversa criando realidades autónomas que a montagem, o tema da paisagem e os métodos de trabalho unificam. Os desenhos do piso térreo obrigam-nos a uma aproximação do olhar, e distanciam-nos em relação às árvores reais do jardim que ameaçam invadir o nosso campo de visão. As pinturas do piso superior criam a cenografia de uma paisagem suspensa – um campo de arvoredos densos que nascem sobre as copas das árvores reais que, vindas do exterior, atravessam, se espelham e se reflectem nos vastos planos de vidro das janelas.

Segundo o curador, João Pinharanda, O título desta exposição, escolhido pela artista e retirado de um texto de Cesare Pavese, situa-nos o programa de Maria Capelo como ancorado no real; ao mesmo tempo dá-nos a deriva poética que nos permite a sua interpretação.

Nenhuma explicação simples pode descrever o mecanismo criativo que nos conduz a estas imagens. Não necessariamente por esta ordem, uma árvore é observada, é pintada, é memorizada, é transformada, é repetida, é deslocada – forma, cor, gesto, pincelada participam nesses jogos de encenação ou seja, de reorganização/reordenação do mundo. O pormenor de uma árvore é separado da unidade a que pertence e o grau de proximidade e intensidade dessa observação pode transformar o desenho desse pormenor numa paisagem alterando radicalmente as escalas quer da observação quer da significação.

Em nenhum caso se trata de reconstituir um lugar ou de reproduzir uma imagem prévia. Tudo existe na observação minuciosa da Natureza que Maria Capelo realiza desde sempre; e também na leitura que faz de textos científicos e literários sobre o tema e que lhe servem para confirmar que nada se vê fora do que existe. Mas, simultaneamente, nada do que vemos existe se não em cada uma daquelas pinturas (e desenhos). É esse compromisso duplo, com o real, com a verdade da Natureza pensada/vista através da paisagem, e com o que está para além dele (antes/depois), que Maria Capelo expõe.

Maria Capelo não nos oferece estas imagens, obriga-nos a conquistá-las com a mesma perseverança com que ela as fez.”

 A exposição pode ser vista de terça a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

Biografia

Maria Capelo (1970, Lisboa) licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Desde então, participa e expõe o seu trabalho em exposições coletivas e individuais. Das exposições individuais destacam-se: Deita-te, levanta-te e agora deita-te, Fundação Carmona e Costa, (Lisboa, 2017); À Volta das Covas de um Rochedo, Cinemateca Nacional – Museu do Cinema, (Lisboa, 2016); Todas as Montanhas Ardem, Galeria Diferença, (Lisboa, 2015); Os dias como claras manhãs, as noites de trevas espessas, Galeria Giefarte (Lisboa, 2013); Lisboa e Para onde quer que se olhe há uma alegria enterrada, Museu Geológico, (Lisboa, 2010). E das exposições coletivas: Pedro Costa: Companhia – Fundação de Serralves, (Porto, 2018); Como o Sol / Como a Noite, Retrospectiva Reis/Cordeiro, Porto/Post/Doc, FBAUP, (Porto, 2018); RE: Imagining Europe, BOX Freiraum (Berlim, 2017); e Caminhos de Floresta – Sobre Arte, Técnica e Natureza, Centro Internacional das Artes José de Guimarães, (Guimarães, 2016). Está representada em diversas coleções e, em 2013, recebeu uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para a realização do projeto Da sombra dos Montes, no âmbito do Programa de Apoio a Projetos de Criação Artística.

 

João Pinharanda (1957, Moçambique) Foi professor auxiliar do Departamento de Arquitetura, na Universidade Autónoma de Lisboa e professor auxiliar do Mestrado de Gestão de Mercados de Arte (ISCTE, Lisboa). Presidiu a Secção Portuguesa da Associação Internacional dos Críticos de Arte (AICA). Foi diretor de programação do Museu de Arte Contemporânea de Elvas – Colecção António Cachola (2007-2010) e participou como júri de exposições e de prémios de arte em Portugal, Espanha e Brasil. Foi crítico de arte entre 1984 e 2001, e no jornal Público foi responsável pela secção de artes plásticas entre 1990-2000. Tem vindo a colaborar em revistas especializadas como Arte Ibérica, Flash Art, Neue Kunst in Europa, Spazio Umano, Arena…. Foi consultor artístico entre 2000 e 2015 para a programação de exposições da Fundação EDP e comissário e coordenador do Programa de Arte Pública do Parque de Escultura Contemporânea do Parque Almourol (Vila Nova da Barquinha). É comissário de exposições individuais e coletivas em museus nacionais e internacionais (Espanha, França, Rússia, México, Brasil). Em 2017 foi comissário da representação portuguesa na Bienal de Veneza de Artes Plásticas e desde 2015, é director do Centro Cultural Português – Camões, em Paris e conselheiro cultural junto da Embaixada de Portugal em França.

Visita Guiada

Visitas Guiadas – Escolas

terça a sexta-feira

Marcação Prévia: servicoeducativo@galeriasmunicipais.pt

 

Visitas Guiadas – Público Geral

16 e 23 fev

2, 9, 16, 23 e 30 março

6, 13, 20 e 27  abril

15h30 às 16h30

Pavilhão das Formas Sociais

Mariana Silva
Artistas Mariana Silva
Curadoria Margarida Mendes
Data De 16/11/2018 a 27/01/2019
Folha de Sala

Pavilhão das Formas Sociais problematiza a relação histórica entre sociedades animais e humanas, analisando o movimento de enxames e multidões, e algumas das suas mutações recentes. O pavilhão compara coletivos humanos e insetos sociais, — como formigas e abelhas — e como a relação porosa entre natureza e cultura permeia políticas sociais, noções de tecnologia, e o desenvolvimento da inteligência artificial. Numa era em que o controlo e a vigilância não se parecem opor aos ideais de horizontalidade e imanência: de que forma é que visões tecno-utópicas informam sistemas tecnológicos vigentes? Quando é que estes reconfiguram o espaço de potencialidade do corpo político e quando é que estes se tornam numa ideologia?

A história dos insetos sociais coloca questões sobre instinto, opostas em termos evolucionários à inteligência desde Darwin, representando estranheza e alteridade em contraposição à inteligência humana. Perguntando como é que a inteligência animal ou o comportamento de multidões podem ser reinterpretados na era algorítmica, esta exposição cruza eixos de reflexão, que se encadeiam nos vários espaços do pavilhão.

A série de novas comissões de Mariana Silva continua a temática que a artista desenvolveu no ano passado, sob forma de ficção especulativa, em Olho Zoomórfico, ampliando-a em diferentes obras. Nesta exposição, a artista parte de um léxico visual composto por imagens documentais, dando primazia à referenciação cruzada de materiais e cronologias científicas e biopolíticas, incluindo elementos como a ficção série B de Hollywood. Nas salas do piso térreo do pavilhão encontramos uma série de ecrãs justapostos às janelas do jardim, onde podemos ver excertos de filmes e animações que incorporam narrativas com insetos, formigas, multidões, e boids ou enxames.

Ambas as salas incluem também uma série de réplicas de formigueiros da espécie Pogonomyrnex badius em metal e papier-maché, elaboradas pelo artista Edgar Pires. Formigueiros estes que partem das formas obtidas pelo mirmecologista Walter Tschinkel, que ao fazer o levantamento dos mesmos preenche com metal fundido os orifícios cimeiros do formigueiro, revelando a matriz do espaço negativo escavado e a complexidade da sua arquitectura.

Nestas salas podemos observar a relação entre as esculturas e os vídeos tendo como pano de fundo o jardim, enquanto acedemos a entrevistas com teóricos como Charlotte Sleigh, autora de Six Legs Better: A Cultural History of Myrmecology (2007), Jussi Parikka, autor de Insect Media: An Archaeology of Animals and Technology (2010), Tania Munz, autora de The Dancing Bees: Karl Von Frisch and the Discovery of the Honeybee Language (2016), e o teórico cultural Stefan Jonsson autor de A Brief History of the Masses: Three Revolutions (2008). No mesmo piso encontramos também uma cronologia que inclui referências sobre a história social dos insetos e multidões.

No andar superior do Pavilhão das Formas Sociais é mostrado um novo vídeo, Enxame/Turba, que justapõe o interesse de diferentes áreas de estudo de formas imanentes, seja na tecnologia, biologia ou filosofia, perguntando com Donna Haraway se “haverá uma unidade de análise mais pequena do que a relação?” e propondo uma reflexão sobre a mutação na nossa conceção de corpo político. Este filme é apresentado num ecrã semiesférico convexo que distorce a imagem original.

Apresenta-se também “Do ponto de vista do mamífero”, uma peça desenvolvida pela artista em 2017, onde podemos ver um inseto a ser indexado num museu, enquanto uma voz off nos reporta para a perspetiva de mentes não-humanas, sejam elas animais, alienígenas, ou robóticas, e onde conseguimos encarnar o ponto de vista de um inseto, ou mamífero mutante, na reificação da sua própria singularidade ocular.

Esta exposição teve o apoio de Fablab Lisboa.

Agradecimentos:
Christian Bosch, Luis Coelho, Duarte Crawford, Paulo Crawford, Aveline De Bruin, Pedro Góis, Bernardo Gaeiras, Gonçalo Gama Pinto, Stefan Jonsson, Joana Manuel, Nuno Marques, Margarida Mendes, Tania Munz, Pedro Neves Marques, Jussi Parikka, Edgar Pires, Craig Reynolds, Charlotte Sleigh, Walter Tschinkel, e Flávia Violante.

Biografia

Mariana Silva formou-se na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Apresenta regularmente a sua obra em exposições individuais e coletivas, em contexto nacional e internacional. Destacam-se as exposições individuais: Olho Zoomórfico (2017, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa), Audience Response Systems (2014, Parkour, Lisboa); Ambientes (2013, e-flux, Nova Iorque), com Pedro Neves Marques; A organização das formas (2011, Kunsthalle Lissabon, Lisboa). Colaborou em várias mostras coletivas como: Bienal de Gwangju, (2016, Gwangju, Coreia); HYPERCONNECTED (2016, V Moscow International Biennial for Young Art at MMOMA—Moscow Modern Art Museum); Prémio EDP Novos Artistas, (2015, Fundação EDP, Lisboa), Europe, Europe, (2014, Astrup Fearnley Museum, Oslo); IndieLisboa, Festival Internacional de Cinema Independente de Lisboa, (2012, Cinemateca de Lisboa, Lisboa).

Mariana Silva foi vencedora do prémio EDP Novos Artistas 2015 (Lisboa) e BES Revelação 2008 (Porto). Esteve em residência na Gasworks, Londres (2016) e ISCP, Nova Iorque (2009). Juntamente com o artista e escritor Pedro Neves Marques, desenvolve inhabitants, um canal online com reportagens exploratórias em vídeo e documentário (http://inhabitants-tv.org/).

Margarida Mendes é curadora, educadora e activista. A sua pesquisa – com enfoque no cruzamento da cibernética, filosofia, ecologia e filme experimental – explora as transformações dinâmicas do ambiente e o seu impacto nas estruturas sociais e no campo da produção cultural. Integrou a equipa curatorial da 11ª Bienal de Gwangju (2016) e da 4ª Bienal de Design de Istanbul (2018). Dirigiu várias plataformas educacionais, tais como escuelita, uma escola informal no Centro de Arte de Mayo (CA2M), Madrid (2017), o projeto The Barber Shop em Lisboa (2009-15), e a plataforma de pesquisa curatorial e investigação ecológica, The World In Which We Occur (2014-). Correntemente é doutoranda no Centre for Research Architecture, Visual Culture Department, Goldsmiths University of London.

Visita Guiada

Visitas Guiadas ao Sábado
8, 15, 22 e 29 Dezembro / 5, 12, 19 e 26 Janeiro
15h30 às 16h30

Público Geral
Gratuita

Visitas Guiadas Escolas
Ensino Secundário e Ensino Superior
de terça a sexta-feira
Marcação Prévia: serviçoeducativo@galeriasmunicipais.pt

Inner 8000er

João Marçal
Artistas João Marçal
Curadoria Sara Antónia Matos / Pedro Faro
Data De 01/08/2018 a 30/09/2018
Folha de Sala

As Galerias Municipais apresentam a exposição individual de João Marçal, “INNER 8000er”, com curadoria de Sara Antónia Matos e Pedro Faro, no Pavilhão Branco, dando continuidade a uma programação que procura dar a conhecer o trabalho de artistas com um percurso já consolidado no âmbito da arte contemporânea.

A exposição “INNER 8000er”, de João Marçal, mostra uma seleção de pinturas, de vários formatos, realizadas ao longo de vários anos, algumas recentes e inéditas.

Expondo o mundo como um lugar de imagens estereotipadas, que se repetem de um modo quase mecânico e circular, nomeadamente logótipos e padrões, sem significados aparentes ou funções autênticas, o artista manipula e desconstrói essas imagens – ampliando-as, fragmentando-as, tornando-as abstratas através da sua pintura e fazendo delas desafios ópticos que se impõem ao olhar. Formas, composições e imagens abstratas, cada uma das suas obras implica um extraordinário desafio em busca de pistas iconográficas, quase no limite poético do absurdo, onde muitas vezes a arte tem algo a dizer, a acrescentar e a dar a ver.

Para esta exposição, no Pavilhão Branco, João Marçal escolheu o título “INNER 8000er”. No planeta Terra, existem 14 montanhas com mais de oito mil metros de altitude – as “Eight-thousanders” –, todas localizadas nos Himalaias e no Karakoran, na Ásia. Escalá-las é um feito conseguido por muito poucos, porque montanhas com mais de 8.000 metros de altitude estão situadas acima daquilo que é designado como limite vertical, ou seja, o limite até onde um ser humano pode sobreviver. A escassez de oxigénio aliada às baixas temperaturas, a ventos fortes e a dificuldades técnicas fazem com que ascensões deste tipo tenham uma taxa de sucesso muito reduzida e percentagens de fatalidade elevadas. Acima dos 8.000 metros, a vida é limitada a pouco, a pouco tempo, e poucos conseguem chegar ao cume de todas estas montanhas.

Um dos eixos dos últimos trabalhos de João Marçal é, justamente, o seu crescente interesse por alpinismo e montanhismo de altitudes extremas (himalaísmo) – admiração que se reflecte na sua obra através da comparação que o artista estabelece entre a figura do alpinista e a do artista. A estas duas figuras são comuns a entrega ao desconhecido, a perseguição de um objetivo que não tem propriamente uma função palpável ou um limite concreto: o desejo de chegar onde é difícil, onde supostamente não podemos ou devemos estar, de desafiar o que existe. A metáfora «montanha» tem sido de facto materializada por este artista, nomeadamente em séries anteriores, que cruzam referências da pintura e nomes do alpinismo. Para além dessas correspondências, o título «INNER 8000er» aponta para uma associação directa entre a ideia de escalada e pintura. Segundo o próprio artista «há sempre uma camada em todos os meus trabalhos que remete para um pensamento sobre a própria pintura, quase como uma análise genética do próprio medium, sempre presente, intrínseca a toda a prática.»

Para Marçal, a ideia de uma montanha interior de 8000 metros, ou seja, no âmago de um ser humano, implica um «choque de dimensões». Apesar de «sermos complexos e enormes no nosso interior», os maiores picos dos Himalaias nunca caberiam fisicamente dentro de uma pessoa. Assim, pode dizer-se que esta analogia é de ordem simbólica, psicológica e conceptual – oferecendo ao artista um desafio de ordem epistemológica e pictural.

– De que modo pode um artista traduzir na sua obra esta busca vertiginosa sobre as possibilidades e impossibilidades da pintura?

«Um dos pontos sobre o qual tenho refletido e insistido muito ultimamente é sobre o(s) espaço(s) da pintura, o momento em que esta deixa de ser um objeto físico no lugar que ocupa e passa a ser um espaço noutro lugar, outra coisa, outras coisas. Nós também estamos “presos” a uma evidência física (corpo/coisa) que nos influencia as experiências e o rumo, mas somos sempre muito mais do que isso, estamos sempre noutros sítios.»

A pintura tem também a sua espécie de «Inner 8000er».

Biografia

João Marçal (Coruche, 1980), atualmente vive e trabalha em Lisboa.

É licenciado em Pintura (2004) pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Em 2008, obtém o grau de Mestre em Práticas Artísticas Contemporâneas, pela mesma Faculdade.

Desde 2003 apresenta regularmente a sua obra em exposições individuais e coletivas, em contexto nacional e internacional. Das últimas exposições individuais destacam-se: Remote, Caribbeing House, Brooklyn (EUA), 2017; IVRE com Jérémy Pajeanc, Ar Sólido, Lisboa, 2017; Lhotse Summit, Octroi, Tours (FR), 2015; Quarto, Galeria Braça Brandão, Lisboa, 2015; Goin’ Blind, Parkour, Lisboa, 2014; We’re All Alone, Galeria Adhoc, Vigo (ES), 2013; D.ª Maria Amélia, Galeria Nuno Centeno, Porto, 2012. Colaborou em mostras coletivas e desenvolveu projetos individuais para espaços independentes como: Salão Olímpico, PêSSEGOpráSEMANA, IN-TRANSIT, Laboratório das Artes, Mad Woman In The Attic, Espaço Campanhã, Espaço Avenida, Maus Hábitos, A Certain Lack of Coherence, Espaço Mira, Parkour e Sismógrafo.

Em 2017, o Atelier-Museu Júlio Pomar/ EGEAC, em parceria com a RU – Residency Unlimited, NY, selecionaram João Marçal para realizar uma residência na instituição nova-iorquina.

Em 2005, com o pseudónimo Marçal dos Campos, inicia um projeto na área da produção musical, que desenvolve paralelamente à atividade como artista plástico.

Entre outras, a sua obra está representada na Colecção Núcleo de Arte Contemporânea da CML.

Vibrações Centrífugas

Projecto decorrente da residência artística Passado e Presente – Lisboa, Capital Ibero-Americana de Cultura 2017
Artistas Hector Zamora / Victor Gama
Curadoria Galerias Municipais
Inauguração 20/04/2018 10:00
Data De 20/04/2018 a 29/04/2018
Folha de Sala

Performances:

20 e 21 de abril – 22h às 23h

22 abril – 17h às 18h

Exposição:

20 a 29 abril

Terça a domingo das 10h às 13h e das 14h às 18h.

 

Vibrações centrífugas ou o «cantar dos búzios»

Héctor Zamora (México, 1974) vive atualmente em Lisboa, onde em março de 2017 expôs a performance-instalação Ordem e Progresso, o segundo projeto site specific a ocupar a Galeria Oval do MAAT.

Esta apresentação integrou a programação da primeira edição da BoCA – Biennial of Contemporary Arts e da Lisboa Capital Ibero-Americana de Cultura 2017, no âmbito da qual Zamora foi um dos artistas convidados a integrar o programa de residências artísticas promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, através das Galerias Municipais.

É neste contexto que o projeto Vibrações Centrífugas começa a ser concebido e desenvolvido, num formato de pesquisa e experimentação próprio do exercício em regime de residência que previa inicialmente uma pequena apresentação no ateliê do trabalho desenvolvido nesse período e espaço.

Surge, logo numa fase inicial, o convite ao compositor e músico Victor Gama (Angola, 1960) para assumir uma coautoria na conceção de todo o projeto sonoro, bem como a previsão de envolver um coro. Desde cedo se torna evidente a dimensão e complexidade do projeto, levando à sua transição do ateliê para o Pavilhão Branco.

Vibrações Centrífugas é uma performance-instalação sonora, que se inspira na forma, movimento e som dos moinhos de vento tipicamente portugueses e, em particular, das cabaças de cerâmica que se lhes conhecem — os búzios. De vários tamanhos e com duas formas diferentes, estas peças são o engenho que permite ao moleiro medir através da ressonância que produzem a direção e intensidade do vento, e manobrar as velas para dele tirar o maior rendimento. A energia do vento aciona o movimento giratório do mastro e das varas onde estão fixos os búzios, cujo peso é responsável por equilibrar a referida rotação e que, posicionados estrategicamente na horizontal e com a boca de frente para o vento, cortam a direção em que este sopra, produzindo um som característico — o «cantar dos búzios», como é popularmente conhecido. Assim, a partir do interior do moinho, o moleiro é capaz de o manipular e alinhar na posição e na velocidade que mais otimiza e rentabiliza o seu desempenho.

É destas peças e desta sonoridade que Héctor Zamora se apropria para criar, juntamente com Victor Gama, uma série de instalações escultóricas e sonoras. O som é o grande protagonista deste projeto, e múltiplas possibilidades e variações permitidas pela interação com os búzios são interpretadas, experienciadas, editadas e organizadas numa composição plástica.

Mais uma vez, Zamora resgata para a sua prática artística um assunto emergente da contemporaneidade e cuja discussão parece adormecida ou dispensável. Na atual sociedade industrializada e de alta-tecnologia, assiste-se à extinção de artes e ofícios, técnicas, métodos, processos artesanais e tradições, como neste caso em concreto a moagem de cereais através de um aparelho mecânico movido pela força do vento, introduzido em Portugal no Século XVI.

Joaquim Constantino, um dos protagonistas deste projeto, é proprietário de um moinho na pequena localidade de Casal do Moinho de Frade, na freguesia de Ventosa, em Torres Vedras, que serviu de base à investigação levada a cabo por Zamora e foi um importante instrumento no processo de produção artística. Constantino é um dos raros moleiros que, em Portugal, têm resistido à industrialização e produção massificada de farinhas. Com fascínio e paixão pelo «cantar dos búzios», mantém o seu moinho a operar segundo o sistema tradicional. Este está na sua família há duas gerações e é um claro exemplo da importância que estes equipamentos de engenharia avançada têm na história e cultura portuguesas. Em 2016, foi iniciado o processo de candidatura dos moinhos de vento típicos do Oeste português a Património Imaterial Nacional e da UNESCO, na tentativa de preservar a sua estrutura, funcionamento original e tradições. A paisagem desta região do país é fortemente marcada pela presença desvalorizada de moinhos de vento, na grande maioria em ruínas.

A performance-instalação foi pensada a partir das características espaciais do Pavilhão Branco e, assim, está distribuída em três momentos distintos. Cada um deles representa uma ocupação física que é ativada como um dispositivo performativo e enfatiza a dimensão física que o som ganha no espaço, quer pelo preenchimento do vazio, quer pelo circuito/trajeto que percorre e define.

A ação desenrola-se de forma itinerante pelos dois pisos, dividida em curtas atuações sucessivas que, quase autónomas umas das outras, são, na verdade, interdependentes e comunicantes, criando uma narrativa que no seu conjunto compõe o projeto.

No piso térreo, onde a estrutura do edifício separa o espaço em duas salas simétricas, a performance divide-se em dois momentos.

Em Movimento I, um coro de 24 músicos — divido em quatro naipes e dirigido por João Barros — interpreta uma composição de Victor Gama, a qual explora através da plasticidade da voz a sonoridade hipnotizante do «canto dos búzios». Na composição, é incorporada uma gravação áudio de 6 canais do verdadeiro som do moinho, captado e editado por Gama. O coro, posicionado em forma de círculo, convida o público a assistir do centro, de forma a fruir da ilusão da perspetiva audível e multidirecional causada pelo sistema de som surround e que as vozes, sincronizadas num movimento centrífugo, irão reproduzir.

Em Movimento II, 4 performers acionam 4 instrumentos desenhados especialmente para este projeto, e em particular para esta exibição, que permitem a rotação de pequenas jarras ao longo do eixo longitudinal. São inspirados no bullroarer, um instrumento musical pré-histórico, do período do Paleolítico, utilizado em cerimónias e rituais. Possuía um mecanismo de rotação que lhe concedia uma vibração e som característicos, numa determinada frequência, capazes de atingir quilómetros, o que o tornou numa importante, sofisticada e fascinante tecnologia de comunicação a longas distâncias. À semelhança da manipulação do bullroarer, a cinesia circular e o som gerado são referências diretas ao moinho de vento, mas através de uma interpretação cuja intensidade sonora faz uso de uma escala e velocidade completamente diferentes.

Movimento III propaga-se por todo o piso de cima, onde os intérpretes dão um autêntico concerto de percussão e sopro, cujos instrumentos são uma apropriação da variação completa de tamanhos e formatos de búzios e jarras que compõem um moinho. O arranjo «musical» proposto por Victor Gama inicia-se de certa forma estruturado, mas abre gradualmente espaço ao improviso e à participação do público. A audiência passa também a protagonizar a atuação, criando um ambiente de jam session e concedendo a esta peça um carácter interativo e provocativo que só assim a torna completa. A disposição das várias peças no espaço obedece à formação de círculos concêntricos, nos quais os búzios de maior dimensão se assentam deitados no chão e as jarras e búzios menores orbitam suspensos no teto, ganhando uma dimensão escultórica muito ligada aos códigos e formalidades de um ritual.

A voz, o sopro, a percussão e o movimento centrífugo combinam-se numa performance que desperta os sentidos e propõe a redescoberta e reinvenção dos sons do vento.

Como é habitual no trabalho de Héctor Zamora, a exposição é o resultado da ação. Evoca a memória do espaço, do tempo e das pessoas que determinaram um acontecimento, e cujo rasto nos sugere uma ausência da qual emerge uma nova presença.

As suas obras pedem que sejam recebidas, vistas, ouvidas e experimentadas pelas pessoas num espírito de envolvimento social, como se naquele momento todas fossem uma pequena comunidade.

 

Sílvia Gomes

 

 

[ENG]

Centrifugal Vibrations or ‘Song of the Gourds’

Héctor Zamora (Mexico, 1974) currently lives in Lisbon, where, in March 2017, he presented the performance-installation Ordem e Progresso, the second site-specific project to occupy the MAAT Oval Gallery.

This presentation was part of the first edition of BoCA – Biennial of Contemporary Arts and Lisbon Ibero-American Capital of Culture 2017, in which Zamora was one of the artists invited to join the programme of artistic residencies promoted by Lisbon City Hall through the Municipal Galleries.

It is in this context that the Centrifugal Vibrations project was conceived and developed, in a format of research and experimentation unique to the residency programme, which initially foresaw a small presentation of the work in the studio in which it had been developed.

Composer and musician Victor Gama (Angola, 1960) was soon thereafter invited to take part in co-authoring the design of the entire sound project at the same time as the prospect of involving a full choir emerged. The size and complexity of the project was evident from early on, leading to its transferral from the studio to the Pavilhão Branco.

Centrifugal Vibrations is a performance-sound installation inspired by the shape, movement and sound of traditional Portuguese windmills and, in particular, of the ceramic gourds closely associated with them called búzios. Of various sizes and appearing in two different shapes, these ingenious gourds allow millers to use the resonance they produce to measure the direction and intensity of the wind and then manoeuvre the windmill sails accordingly to obtain the highest energy yield. The energy of the wind activates the rotation of the blades and the rods on which the gourds are fixed, whose weight is responsible for balancing rotation. Strategically positioned horizontally and with their mouths facing the wind, the gourds cut against the direction of the blowing wind, resulting in a distinctive sound being produced – the ‘song of the gourds’, as it is popularly known. Thus, from the inside of the windmill, the miller is able to manipulate the blades and align them with the wind in such a way as to optimise and best profit from their operation.

Along with Victor Gama, Héctor Zamora appropriated these objects and their sonority to create a series of sculptural and sonorous installations. Sound is the main focus of this project, while the multiple possibilities and variations created from interaction with the gourds are interpreted, experienced, edited and organised in a visual composition.

Zamora’s artistic practice once again recovers an emerging subject of contemporaneity from a discussion that seemed dormant or unimportant. In today’s industrialised high-tech society, many arts and crafts, techniques, methods, handicrafts and traditions face extinction, and such is the case with these wind-driven mechanical milling devices introduced in Portugal in the 16th century.

Joaquim Constantino, one of the protagonists of this project, owns a mill in the small town of Casal do Moinho de Frade in the parish of Ventosa, in Torres Vedras, which served as a basis for Zamora’s research and which was an important instrument in the process of artistic production. Constantino is one of the few millers in Portugal who have resisted industrialisation and the mass production of flour. With a fascination and passion for the ‘song of the gourds’, he maintains his mill in operation according to the traditional system. The mill has been in his family for three generations and is a clear example of the importance that this advanced engineering equipment has had in Portuguese history and culture. In 2016, the application process for the inclusion of the traditional western Portuguese windmills for National and UNESCO Intangible Heritage listing was undertaken in an attempt to preserve their structure, original functioning and traditions. The landscape of this region of the country is strongly marked by the long-undervalued presence of windmills, the vast majority of which sit in ruins.

This performance-installation was conceived for the spatial characteristics of the Pavilhão Branco and, thus, was developed in three distinct movements. Each of them represents a physical occupation that is activated as a performative device, emphasising the physical dimension taken on by sound in the space, either by filling the void or through the circuit/pathway it traverses and defines.

The actions unfold in an itinerant way on the two floors, divided into short successive performances that, while seeming almost autonomous, are in fact interdependent, creating a narrative that makes up the project.

On the ground floor, where the structure of the building separates the space into two symmetrical rooms, the performance is divided into two movements.

In Movement I, a choir of 24 – divided into four suits and directed by João Barros – performs a piece by Victor Gama, exploring through the plasticity of the voice the hypnotising sonority of the ‘song of the gourds’. The composition incorporates a 6-channel audio recording of the actual sound of the mill, captured and edited by Gama. The choir, positioned in a circle around the perimeter, invites the audience to experience the performance from the room’s centre, with their voices creating the illusion of a multidirectional surround sound system in synchronised centrifugal movement.

In Movement II, 4 performers use 4 instruments specially designed for this project, and in particular for this exhibition, rotating small jars along a longitudinal axis. These instruments are inspired by the bullroarer, a prehistoric musical instrument from the Paleolithic period, used in ceremonies and rituals. The bullroarer had a rotating mechanism that gave it its characteristic vibration and sound which, at a certain frequency, was capable of being heard from kilometres away, making it an important, sophisticated and fascinating long-distance communication technology. Similar to the manipulation of the bullroarer, the circular kinetics and sound generated are direct references to the windmill, but with an interpretation in which the sonic intensity makes use of a completely different scale and speed.

Movement III takes place on the upper floor, where the performers give an authentic wind and percussion concert with instruments appropriated from the various shapes and sizes of a mill’s gourds and jugs. The ‘musical’ arrangement proposed by Victor Gama begins with a certain structure that gradually opens up the space. The arrangement of the various pieces in space corresponds to the formation of concentric circles, in which the larger gourds sit on the floor while smaller jars and gourds are suspended from the ceiling, creating a sculptural dimension closely linked to the codes and formalities of ritual.

The voices, wind instruments, percussion and centrifugal movement combine to create a performance that awakens the senses and proposes the rediscovery and reinvention of the sounds of the wind.

As usual in Héctor Zamora’s work, the exhibition is the result of action. It evokes the memory of space, of time and of people who have determined an event, and whose traces suggests an absence from which a new presence emerges.

His works must be received, seen, heard and experienced by people in a spirit of social involvement, as if at that moment they constitute a small community.

 

Sílvia Gomes

Biografia

Héctor Zamora

Nascido no México em 1974, trabalha em Lisboa desde 2016.
Alguns dos seus maiores trabalhos foram apresentados no espaço público, incluindo Ensaio sobre o Fluido, uma intervenção no prédio da escola de música do arquiteto Vittorio Garrati, 12.ª Bienal de Havana, 2015; Errante, um jardim suspenso sobre o rio Tamanduateí, São Paulo, Brasil, 2010; Delírio Atópico, intervenção pública na Av. Jimenez, em Bogotá, Colômbia, 2009; Paracaidista, Av. Revolución 1608bis, um abrigo construído na fachada do museu Carrilo Gil, Cidade do México, México, 2004.
Algumas das suas exposições individuais mais importantes são: Ordem e Progresso, MAAT, Lisbon, Portugal, 2017; Memorándum, Museo Universitario del Chopo, Mexico City, Mexico, 2017; Dinâmica Não Linear, CCBB São Paulo, Brazil, 2016; Ordre et Progrès, Palais de Tokyo – SAM Art projects, Paris, France, 2016; La réalité et autres trumperies, Frac des Pays de Loire, Nantes, França; Paradigma Panglossiano, Redcat, Los Angeles, CA, EUA, 2012; Reductio Ad Absurdum, Architecture + Art, SMoCA, Scottsdale, Arizona, EUA, 2012; Inconstância Material, Galeria Luciana Brito, São Paulo, Brasil, 2012.
Participa actualmente na 11.ª Bienal de Mercosul, Porto Alegre, Brasil, 2018. Participou na 4.ª Ural Industrial Biennial, Ekaterinburg, Rússia, 2017; 14.ª Lyon Biennale, Lyon, France; na 8.ª Bienal de Escultura de Shenzhen, China, 2014; na 13.ª Bienal de Istambul, Turquia, 2013; na 53.ª Bienal Internacional de Arte de Veneza, Itália; no Encontro Internacional de Medellín 2007 (MDE07), Colômbia; na 27.ª Bienal de São Paulo, Brasil; na 12.ª Bienal Internacional do Cairo, Egito; na Bienal Busan 2006, Pusan, Coreia do Sul, 2006; e na 9.ª Bienal de Havana, Cuba. Apresentou trabalhos nas seguintes exposições coletivas: Buildering: Misbehaving the City, Lois & Richard Rosenthal Center for Contemporary, Cincinnati, Ohio, EUA; PER/FORM, CA2M Centro de Arte Dos de Mayo, Madrid, Espanha, 2014;
Blind Field, Krannert Art Museum, University of Illinois, Champaign, Illinois, EUA, 2013; Resisting the Present, Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris/ARC, França, 2012; e Disponible, San Francisco Art Institute, São Francisco, Califórnia, EUA, 2010; entre outros.
Foi um dos membros do BMW Guggenheim Lab Mumbai, Índia, 2012-13.

Victor Gama

Victor Gama nasceu em Angola em 1960. É compositor, músico e criador de instrumentos contemporâneos. No seu trabalho de permanente pesquisa, faz uso de elementos dinâmicos e variáveis que surgem num processo de composição que inclui a concepção, design e construção dos instrumentos com que a obra é executada, dando assim origem ao instrumentário e instalações da série INSTRMNTS. Como resultado, tem vindo a atrair encomendas por parte de ensembles e instituições como a Chicago Symphony Orchestra, os Kronos Quartet, o National Museums of Scotland, o Kennedy Center em Washington, a Fundação Calouste Gulbenkian, o Tenement Museum de Nova Iorque ou a Prince Claus Fonds da Holanda. Desenvolve, desde 1997, o primeiro arquivo digital de música e músicos do interior de Angola, o projeto Tsikaya – Músicos do Interior. Entre várias obras escritas para os seus instrumentos e orquestra de câmara escreveu recentemente a ópera multimédia 3 mil Rios que apresentou em Amesterdão, Lisboa e Bogotá.
Formado em Engenharia Eletrónica, tem um mestrado em Organologia e Tecnologia da Música pela Universidade Metropolitana de Londres e foi recentemente artista residente na Universidade de Stanford e no MIT, em Boston. Entre trabalhos editados encontram-se o álbum Pangeia Instrumentos produzido por Aphex Twin para a Rephlex Records e Naloga editado pela PangeiArt.

 

[ENG]

Héctor Zamora
Born in Mexico in 1974, he has worked in Lisbon since 2016.
Some of his major works have been presented in public spaces, including An Essay on Flow, an intervention in the building of the music school of architect Vittorio Garrati at the 12th Havana Biennale, 2015; Errant, a garden suspended over the Tamanduateí river, São Paulo, Brazil, 2010; Atopic Delirium, a public intervention at Av. Jimenez, Bogotá, Colombia, 2009; Paracaidista, Av. Revolución 1608bis, a shelter built on the façade of the Carrilo Gil museum, Mexico City, Mexico, 2004.
Some of his most important solo exhibitions are: Ordem e Progresso, MAAT, Lisbon, Portugal, 2017; Memorándum, Museo Universitario del Chopo, Mexico City, Mexico, 2017; Dinâmica Não Linear, CCBB, São Paulo, Brazil, 2016; Ordre et Progrès, Palais de Tokyo – SAM Art projects, Paris, France, 2016; La réalité et autres trumperies, Frac des Pays de Loire, Nantes, França, 2015; Paradigma Panglossiano, Redcat, Los Angeles, CA, EUA, 2012; Reductio Ad Absurdum, Architecture + Art, SMoCA, Scottsdale, Arizona, EUA, 2012; Inconstância Material, Galeria Luciana Brito, São Paulo, Brasil, 2012.
He currently participating in the 11ª Bienal de Mercosul, Porto Alegre, Brasil, 2018. Participated in the 4th Ural Industrial Biennial Ekaterinburg, Rússia, 2017; in the
14th Lyon Biennale, Lyon, France, 2017; in the 8th Shenzhen Sculpture Biennale, China, 2014; in the 13th Istanbul Biennale, Turkey, 2013; in the 53rd International Biennale of Art in Venice, Italy, 2011; in the Encuentro Internacional de Medellín 2007 (MDE07), Colombia; in the 27th São Paulo Art Biennale, Brazil, 2006; in the 12th Cairo International Biennale, Egypt, 2010-11; in the Busan Biennale 2006, Busan, South Korea, 2006; and in the 9th Havana Biennial, Cuba, 2006. He has presented work in the following collective exhibitions: Buildering: Misbehaving the City, Lois & Richard Rosenthal Center for Contemporary Art, Cincinnati, Ohio, USA; PER/FORM, CA2M Centro de Arte Dos de Mayo, Madrid, Spain, 2014; Blind Field, Krannert Art Museum, University of Illinois, Champaign, Illinois, USA, 2013;
Resisting the Present, Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris/ARC, France, 2012; and Disponible, San Francisco Art Institute, San Francisco, California, USA, 2010; among others.
He was one of the members of the BMW Guggenheim Lab Mumbai, India, 2012-13.

Victor Gama

Victor Gama was born in Angola in 1960. He is a composer, musician and creator of contemporary instruments. In his work of permanent research, he makes use of dynamic and variable elements arising in the composition process, including the conception, design and construction of the instruments with which the work is executed, thus giving rise to the INSTRMNTS series of instruments and installations. He has attracted commissions from ensembles and institutions such as the Chicago Symphony Orchestra, Kronos Quartet, National Museums of Scotland, the Kennedy Center in Washington, the Calouste Gulbenkian Foundation, the Tenement Museum in New York and the Prince Claus Fund in the Netherlands. Since 1997, he has developed the first digital archive of music and musicians from inland Angola with the Tsikaya – Músicos do Interior project. Among several works written for his instruments and chamber orchestra, he recently wrote the multimedia opera 3 mil Rios, which he has performed in Amsterdam, Lisbon and Bogotá.
Trained as an electronic engineer, he has a master’s degree in Organology and Music Technology from the Metropolitan University of London and has recently been artist-in-residence at Stanford University and MIT in Boston. His published works include the album Pangeia Instrumentos, produced by Aphex Twin for Rephlex Records, and Naloga, published by PangeiArt.

Nudez – Uma Invariante

Artistas Pedro Morais
Curadoria Óscar Faria
Inauguração 27/01/2018 00:00
Data De 28/01/2018 a 01/04/2018
Folha de Sala

Este coração posto a nu
Na esfera da literatura monástica é conhecida a lenda de “Mestre Eckhart e o menino nu”. Trata-se de um breve diálogo entre uma criança e o filósofo medieval renano, porventura escrito por um seu discípulo ou seguidor. Nesse texto, de carácter alegórico, narra-se um encontro onde o místico dominicano e personagem mais nova encontram no acto de despojamento, na nudez, a via para a revelação da essência contida no coração: a pobreza enquanto virtude crucial da existência. É através dessa despossessão, através da qual nos acercamos do nada, que somos confrontados com o facto da vida e da morte se equivalerem na sua suprema importância. Não devemos, pois, desperdiçar o nosso tempo:
“O Mestre levou o menino à sua cela e disse:
– Podes levar a roupa que quiseres.
– Mas, assim já não seria rei!
E desapareceu
O menino era Deus em pessoa, e viera para se divertir com ele.”
“Nudez – uma invariante” é não só o título da exposição de Pedro Morais, mas também o nome de um projecto inédito, agora revelado. Esta obra, que ocupa o primeiro piso do Pavilhão Branco, é dedicada quer a Leonardo da Vinci, para quem a pintura é “cosa mentale”, quer a Marcel Duchamp, que projectou essa ideia para uma quarta dimensão. Há um terceiro nome que percorre esta mostra, o japonês Hogen Yamahata, mestre zen contemporâneo, do qual se escuta a voz a recitar um texto fundamental daquela escola: o “Sutra do Coração”, onde, a determinada altura se lê: “(…) tudo, todos os fenómenos têm por natureza o vazio; não são nem produzidos nem destruídos, nem impuros nem imaculados, nem crescentes nem decrescentes.”
NUDEZ – UMA INVARIANTE
Pedro Morais
curadoria Óscar Faria
Através desta obra, Pedro Morais propõe uma reflexão acerca do carácter impermanente da existência, servindo-se, para isso, da pintura. Podemos nomear mesmo este trabalho como uma instalação pictórica, onde as cores primárias e complementares se espelham, num constante movimento de velaturas – o “sfumato”, tão utilizado por Leonardo –, que nos convidam a descobrir um espaço pleno de simbolismo, onde podemos encontrar essa passagem da virgem a noiva, protagonizada pela figura da maternidade. L.H.O.O.Q. [“Elle a chaud au cul”], como inscreveria, em 1919, Duchamp, depois de pintado o bigode, numa reprodução da “Mona Lisa”.
A exposição inclui ainda, no rés-do-chão, uma série de maquetas, com as respectivas caixas, e trabalhos recentes de Pedro Morais, sendo ainda apresentadas as duas primeiras “células” realizadas pelo artista em 1986. Podemos assim confrontar-nos com um percurso de uma rara consistência na arte portuguesa das últimas décadas: uma obra de um rigor atroz, onde confluem elementos de diferentes tradições: a mística renana medieval, a alquimia, o zen, a pintura enquanto “coisa mental”, de Leonardo a Duchamp, passando por Dacosta, os espaços solitários de Raymond Roussel, ou a prática em ateliês livres – de arquitectura, de pintura, de experimentação –, não só enquanto aprendiz, mas também como professor.
Nesse face-a-face onde qualquer falha deixa entrar a luz, quando a poeira assenta no chão, ou as nuvens atravessam o céu, tudo pode acontecer: uma corrente de ar, um espirro, a aparição de uma chama, o som da água a correr, o brilho dos pirilampos, as douradas sementes sobre terra azul, uma lâmina que surge de uma parede e Ah! As papoilas. Basta estar sentado para que o acontecimento, a nudez, se produza:
“Para além do mental nada existe. As flores nascem e morrem – como é simples a noite clara.” (Pedro Morais)
Quase uma retrospectiva de bolso, esta exposição é para transportar para casa, levando connosco este coração aqui e agora, uma vez mais, posto a nu.

Óscar Faria

 

[ENG]

This heart laid bare
The legend of “Meister Eckhart and the naked boy” is well-known within monastic literature. It is a brief dialogue between a child and the medieval Rhenish philosopher, perhaps written by a disciple or follower. The allegory tells the story of an encounter in which the Dominican mystic and the young child find, in the act of renouncement, in nakedness, the way to the revelation of the essence of the heart: poverty as a fundamental virtue of existence. It is through this renouncement, by which we come closer to nothingness, that we are confronted with the fact that life and death are of equally supreme importance. We should not, therefore, waste
our time:
– The Meister took the boy to his monastery cell and said,
“You may take whichever clothes you wish.”
“But then I would be king no longer!”
answered the boy before disappearing.
The boy was God himself, having come to entertain Himself with the Meister.
“Nudez – uma invariante” [Nakedness – an invariant] is not only the title of Pedro Morais’ exhibition, but also the name of a project being revealed for the first time. This work, which occupies the first floor of the Pavilhão Branco, is dedicated both to Leonardo da Vinci, for whom painting is “cosa mentale” [something mental], and to Marcel Duchamp, who projected this idea to a fourth dimension. A third name running through this exhibition is Hogen Yamahata, a contemporary Zen master from Japan whose voice is heard reciting one of the central texts of that school, the “Heart Sutra”, including the following passage: “(…)all dharmas are marked with emptiness; they are neither produced nor destroyed, neither defiled nor immaculate, neither increasing nor decreasing.”
NUDEZ – UMA INVARIANTE
Pedro Morais
curadoria Óscar Faria
Through this work, Pedro Morais uses painting to offer a reflection on the impermanent character of existence. This work might even be called a pictorial installation, in which primary and complementary colours are mirrored in a constant shifting of tones – the “sfumato” so favoured by Leonardo – inviting us to discover a space replete with symbolism in which we witness the passage from virgin to bride, with a central role for the figure of motherhood. L.H.O.O.Q. [“Elle a chaud au cul”], as written by Duchamp in 1919 after painting his moustache on a reproduction of the Mona Lisa.
The exhibition on the ground floor also includes a series of models with their respective boxes, together with recent works by Pedro Morais and the first two “cells” made by the artist in 1986. Viewers are thus able to experience a trajectory of rare consistency in the Portuguese art of recent decades, a work of brutal exactness in which elements of different traditions converge, including medieval Rhenish mysticism, alchemy, Zen, painting as “cosa mentale”; from Leonardo to Duchamp via Dacosta and the solitary spaces of Raymond Roussel or practice in independent workshops – architecture, painting, experimentation – not only as an apprentice but also as a teacher.
This face-to-face encounter in which any crack lets the light get in, when dust settles on the ground or clouds cross the sky, anything can happen: a stream of air, a sneeze, the appearance of a flame, the sound of running water, the glow of fireflies, golden seeds on blue earth, a blade that emerges from a wall and – of course! – the poppies. It is enough to be seated for the event, for the nakedness, to happen:
“Beyond the mind, exists nothing. Flowers are born and die – as simple as the clear night.” (Pedro Morais)
As an almost pocket-sized retrospective, this exhibition immediately transports us home, together with the heart that is, once again, laid bare.

Biografia

Pedro Morais (Lisboa, 1944)
Frequentou os cursos de Pintura da Escola António Arroio e da Escola de Belas-Artes de Lisboa, e a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, Paris. Residiu em Paris de 1965 até 1977, tendo sido bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em 1967-1968. De regresso a Portugal, em 1977 foi professor na Escola António Arroio. Entre 1979 e 1994 foi o responsável pela experiência pedagógica “Atelier livre AT.RE”. É, desde 1984, responsável pela programação da Galeria Lino António. Entre 1975 e 1976 anulou a sua produção artística e dados biográficos anteriores (1964-1976), nas realizações LETTRE OU FENETRE A SEPT AMIS – AUREVOIR PEDRO MORAIS – projectos e textos (Paris, 1975) e TU EST…, Duplo Triângulo – desenho, pintura e objectos (Paris, 1976). Tem vindo a apresentar, desde 1982, diversas realizações e projectos.

Óscar Faria (Porto, 1966)
Crítico de arte, ensaísta. Doutorando em História de Arte Contemporânea – Universidade Nova de Lisboa, onde prepara uma tese acerca da obra de Álvaro Lapa. Nos últimos anos tem vindo a desenvolver trabalho curatorial não só no Sismógrafo (Porto) mas também na Fundação de Serralves e na Culturgest. Entre 1992 e 2011 foi jornalista e crítico do jornal Público. Director artístico da galeria Quadrado Azul (2012-2013) e Bolseiro da American Center Foundation (2008). Em 2004 e 2005 editou o programa Magazine Artes (RTP 2), actividade da qual resultaram cerca de 100 programas. Autor do documentário “A Segunda Casa” (RTP 2, 2005) acerca da obra de Helena Almeida.
Colaborou com várias publicações nacionais e internacionais, como Purple Prose, Camara Austria, Concreta, Jornal dos Arquitectos, Flauta de Luz, Confidências para o Exílio, etc.
Escreveu inúmeros ensaios, entre os quais se podem destacar aqueles acerca dos trabalhos de Rui Baião, Hernâni Reis Baptista, Vasco Barata, Artur Barrio, Gil Heitor Cortesão, Luis Paulo Costa, José Pedro Croft, Paulo da Costa Domingos, Priscila Fernandes, Renato Ferrão, Felix Gonzalez-Torres, Heinz Peter Knes, Álvaro Lapa, Pedro Morais, Paulo Nozolino, Rui Nunes, Bruno Pacheco, João Queiroz, Sebastião Resende, Thierry Simões, Francisco Tropa, Pedro Sousa Vieira e Danh Võ.

 

[ENG]

Pedro Morais (Lisbon, 1944)
He attended courses in Painting at Escola António Arroio and Escola de Belas-Artes de Lisboa, in Lisbon, and École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, Paris. He lived in Paris between 1965 and 1977, and was recipient of a grant from the Calouste Gulbenkian Foundation from 1967 to 1968. Back in Portugal, in 1977 he taught at Escola António Arroio, in Lisbon. Between 1979 and 1994 he led the educational project “Atelier livre AT.RE”. Since 1984 he has been responsible for the programming of Lino António Gallery. Between 1975 and 1976 he annulled all of his previous art production and biographical information (1964-1976) in the actions LETTRE OU FENETRE A SEPT AMIS – AUREVOIR PEDRO MORAIS – projectos e textos [Letter or Window to Seven Friends – Goodbye Pedro Morais – projects and texts] (Paris, 1975) and TU EST…, Duplo Triângulo – desenho, pintura e objectos [YOU ARE…, Double Triangle – drawings, paintings and objects] (Paris, 1976). Since 1982 he has presented several creations and projects.

Óscar Faria (Porto, 1966)
Art critic and essayist. He is currently pursuing a doctorate in Contemporary Art History at Universidade Nova de Lisboa with a thesis about the work of Álvaro Lapa. In recent years he has served as curator at Sismógrafo (Porto), Fundação de Serralves and Culturgest. From 1992 to 2011 he was a journalist and critic at the newspaper Público. He was a grantee of the American Center Foundation in 2008 and, from 2012 to 2013, the artistic director of Galeria Quadrado Azul. His work as editor of the television programme Magazine Artes (RTP 2) in 2004 and 2005 resulted in the production of approximately 100 programmes. He is the creator of the documentary “A Segunda Casa” [The Second House] (RTP 2, 2005) about the work of Helena Almeida.
He has collaborated with several national and international publications, including Purple Prose, Camara Austria, Concreta, Jornal dos Arquitectos, Flauta de Luz and Confidências para o Exílio.
He has written numerous essays, among which some highlights include those about the works of Rui Baião, Hernâni Reis Baptista, Vasco Barata, Artur Barrio, Gil Heitor Cortesão, Luis Paulo Costa, José Pedro Croft, Paulo da Costa Domingos, Priscila Fernandes, Renato Ferrão, Felix Gonzalez-Torres, Heinz Peter Knes,
Álvaro Lapa, Pedro Morais, Paulo Nozolino, Rui Nunes, Bruno Pacheco, João Queiroz, Sebastião Resende, Thierry Simões, Francisco Tropa, Pedro Sousa Vieira and Danh Võ.

 

Visita Guiada

JORNADA
24 Março (10h – 12h / 15h – 17h)
Para ser visto: em torno da obra de Pedro Morais

No âmbito da exposição “Nudez – uma invariante” irá realizar-se, a 24 de Março, uma jornada de um dia destinada a aprofundar o conhecimento da obra de Pedro Morais. “Para ser visto”, título do encontro, irá reunir uma série de nomes que se cruzaram com o artista, quer através da escrita e da curadoria, quer em lugares onde receberam os seus ensinamentos.
Dividida em duas partes, a jornada procurará reflectir, por um lado, sobre o ensino de Pedro Morais, ministrado na António Arroio, em Lisboa, onde não só fundou o mítico “atelier livre”, mas também programou a Galeria Lino António, e, por outro, acerca do seu percurso artístico, incidindo especialmente nas exposições realizadas no Museu Nacional de Arte Antiga e no Museu de Arte Contemporânea de Serralves.
“Para ser visto”, organizado por Óscar Faria em colaboração com as Galerias Municipais da EGEAC, conta com a participação de Rui Calçada Bastos, João Fernandes, Tomás Maia, Edgar Massul, Pedro Morais, José Luís Porfírio, Marta Soares e Francisco Tropa.
10h ao 12h | Pedro Morais, Óscar Faria, Rui Calçada Bastos, Edgar Massul,
Marta Soares e Francisco Tropa
15h às 17h | Pedro Morais, Óscar Faria, João Fernandes, Tomás Maia,
José Luís Porfírio

 

ONE-DAY EVENT
24 March (10am – 12pm / 3pm – 5pm)
To be seen: around the work of Pedro Morais

As part of the exhibition “Nudez – uma invariante” [Nakedness – an invariant], a one-day event will be held on 24 March to deepen knowledge of Pedro Morais’ work. “To be seen”, the title of the event, will bring together a number of people associated with the artist either through their writing, curation or in the context of the artist’s teaching.
The first half of the event will seek to reflect on Pedro Morais’ teaching at the António Arroio art school in Lisbon, where he not only founded the mythical “open workshop” but also programmed the Lino António Gallery. The second half of the event will focus on his artistic career, especially on his exhibitions at the National Museum of Ancient Art and the Serralves Museum of Contemporary Art.
“To be seen”, organised by Óscar Faria in collaboration with the Municipal Galleries of the EGEAC, also features the participation of Rui Calçada Bastos, João Fernandes, Tomás Maia, Edgar Massul, Pedro Morais, José Luís Porfírio, Marta Soares and Francisco Tropa.
10am to 12pm | Pedro Morais, Óscar Faria, Rui Calçada Bastos, Edgar Massul, Marta Soares and Francisco Tropa
3pm to 5pm | Pedro Morais, Óscar Faria, João Fernandes, Tomás Maia,
José Luís Porfírio