Galeria Avenida da Índia

Your Money and Your Life

Claire Fontaine
Artistas Claire Fontaine
Curadoria Anna Daneri
Inauguração 22/10/2019 18:00
Data De 24/10/2019 a 05/01/2020
Sobre a exposição

As Galerias Municipais inauguram na Galeria Av. da Índia, no próximo dia 22 de outubro, às 18h, a exposição de Claire Fontaine YOUR MONEY AND YOUR LIFE com curadoria de Anna Daneri.

Your Money and Your Life, de Claire Fontaine, é a reiteração de uma exposição anterior com o mesmo título, realizada no Palazzo Ducale, em Génova, no início de 2019. Obras novas e antigas, que giram em torno de valor, do lucro, da propriedade privada e da objetificação de seres humanos, mantêm um diálogo vivo entre si. “O dinheiro ou a vida” era, no passado, o clamor dos bandidos; hoje, o capitalismo exige ambos: o nosso dinheiro e o nosso tempo, a mobilização constante da nossa capacidade relacional e da nossa adaptabilidade para suportar condições de vida cada vez mais precárias.

Partindo da perspetiva de que a violência política contemporânea requer respostas criativas, Claire Fontaine propõe maneiras de resistir ao nosso ambiente tóxico e mercantilizado. Nesta exposição é exibida a obra Newsfloor (Público), 2019 cuja função é alterar o “cubo branco”, cobrindo o chão com exemplares recentes de um jornal diário nacional. A presença do material impresso no espaço da galeria força as obras de arte a aproximarem-se e a dialogarem com imagens e palavras das quais são desconectadas, criando ao mesmo tempo um ambiente de aparência precária que evoca um estaleiro de obras ou uma instalação inacabada.

O vídeo Situations (2012) apropria uma aula existente de autodefesa, onde proteger-se se vai transformando gradualmente em atacar e destruir o outro. Pretendendo-se como uma metáfora do equilíbrio da luta na sociedade contemporânea e na América em particular, o vídeo também funciona, a nível instrutivo, como uma catadupa de informações sobre técnicas de luta de rua que podem ser aplicadas potencialmente por qualquer pessoa.

As quatro Estátuas Vivas apresentadas na exposição são “objetos de performance”: objetos que fingem ser sujeitos, fingindo ser objetos. Inspirados pelas ações dos artistas de rua em locais urbanos turísticos, eles retratam mendigos criativos que se tornam objetos para serem notados, competindo com uma paisagem de artefactos arquitetónicos nobres. Ao obliterar a sua humanidade, transformando-se em “coisas”, revelam-se numa metonímia cujo significado simbólico ainda não foi totalmente explorado – o mal-estar que nos possui quando estamos na sua presença pode vir disso. Para conseguir um artifício mais espetacular, alguns desses artistas de rua suspendem-se em armaduras invisíveis e parecem flutuar. Um deles enfia-se na sua camisa, ficando perturbadoramente sem cabeça.

A estratégia criativa de Claire Fontaine, a meio caminho entre pirataria e apropriação, é concebida pela artista como uma forma de restituição, de atribuição de um valor de uso diferente às obras de arte que ela cita e transforma. As duas caixas de luz intituladas Untitled (pubblicità pubblicità!), 2015 exibem no lado direito a versão italiana do icónico poster do artista Philippe Thomas para a sua agência, intitulado “ready-mades pertencem a todos”, cujo objetivo era vender aos colecionadores a própria autoria das obras que eles adquiriam. No lado esquerdo da caixa de luz, um texto de Claire Fontaine, colocado sob uma prateleira de catálogos fictícios de artistas femininas, apela à rebelião criativa feminista que nos capacitará e nos transformará, reduzindo o fosso entre artistas e não artistas. Os cartões postais, Untitled (L.G.B.T.Q./L.G.B.T.Q. shaved) (2017), #MeToo (Déjeuner sur l´herbe) e #MeToo (Olympia) (2018) são críticas irónicas à história da arte e seus critérios; questionam os nossos próprios desejos e a maneira como os autores e a sua autoridade os influenciam.

Untitled (Naked after beating) e Untitled (They sexually harass and torture, then photograph and publish) (2018) exibem duas obras-primas obscuras desenhadas por prisioneiros do Iémen, desesperados por compartilhar os pormenores da sua perseguição, fotografados e revelados por um iPhone com o ecrã partido, em que as rachas se tornam parte integrante da imagem. O cerne dessas obras é a sua irreparabilidade e o negrume que envolve a vividez dos desenhos, um lembrete de que quem os criou sofre longe dos nossos olhos, dos nossos ecrãs de telefone partidos e dos nossos dedos rolantes.

 

ENG

Claire Fontaine’s “Your Money and Your Life” is a new version of a previous exhibition with the same title held at Palazzo Ducale in Genoa during spring 2019. New and old works revolving around value, profit, the objectification of human beings and private property, entertain a lively dialogue with each other and within the space of Galeria Av. da Índia.
“Your money or your life!!” was in the past the cry of the brigands, nowadays capitalism requires both: our cash and our time, our relational capacity constantly mobilised and  our adaptability to endure more and more precarious living conditions. Departing from  the standpoint that contemporary political violence requires creative responses, Claire Fontaine proposes ways of resisting to our commodified and toxic environment.  A site-specific installation, Newsfloor (Público), 2019 whose function is to alter the white cube by pasting recent copies of a national newspaper onto the floor, runs through the show. The presence of the printed matter in the space forces the artworks into proximity  and dialogue with images and words that they are disconnected from, creating at the same time a precarious viewing environment that evokes a building site or an unfinished
installation.
Situations, a video from 2012, hijacks an existing tutorial for self-defence, where gradually protecting oneself turns into attacking and destroying the other. Intended as a metaphor of the struggle for balance in contemporary society and America in particular, the video also functions at an instructional level as a leakage of information on street fighting techniques that can be potentially applied by anyone on anybody else.
The four Living Statues are “performing objects”: objects pretending to be subjects pretending to be objects. Inspired by the acts of performers in urban touristic sites, they portray creative beggars objectifying themselves in order to be noticed, competing with a landscape of noticeable architectural artefacts. By obliterating their humanity and transforming themselves into “things” they achieve a metonymy whose symbolic  meaning hasn’t yet been fully explored: the unease that possesses us in their presence might come from that. In order to achieve a more spectacular artifice some of these street artists suspend themselves on invisible armatures and appear to float. One of them tucks himself into his shirt, becoming disturbingly headless.
Claire Fontaine’s creative strategy, half way between piracy and appropriation, is conceived by the artist as a form of restitution, the attribution of a different use value to the artworks that she quotes and transforms. The two light-boxes titled Untitled (pubblicità pubblicità!) (2015) display – on the right-hand side – the italian version of iconic artist Philippe Thomas’s poster for his agency called “ready-mades belong to everyone”, whose aim was to sell to collectors the actual authorship of the artworks they bought. On the other light-box a text by Claire Fontaine, placed below fictional female artists’ catalogues, calls for a feminist creative rebellion that will empower and transform us, reducing the gap between artists and non-artists. The postcards, Untitled (L.G.B.T.Q./ L.G.B.T.Q. shaved) (2017) and #MeToo (Déjeuner sur l´herbe) and #MeToo (Olympia) (2018), are playful critiques to art history and its criteria. They question our own desires and the way authors and their authority influence them.
Untitled (Naked after beating) and Untitled (They sexually harass and torture, then photograph and publish) (2018) display two obscure masterpieces drawn by Yemeni prisoners desperate to share the details of their persecution on two light-boxes; the cracks of the phone have become an integral part of the picture. Irreparability is at the core of these works and the darkness that surrounds the vivid drawings is a reminder that those who made them live and suffer off-line, far away from our eyes, our cracked phone screens and our scrolling fingers.

Biografia

Claire Fontaine é uma artista coletiva conceptual e feminista fundada em Paris em 2004 e sediada em Palermo. Finalista em 2013 do prestigiado Prix Marcel Duchamp, expôs em museus e exposições internacionais, incluindo o Jewish Museum em Nova Iorque, o Wattis Institute for Contemporary Art em São Francisco, o Museion em Bolzano, o Neuer Berliner Kunstverein, a Städtische Galerie Nordhorn, a Shanghai Biennial na Power Station of the Arts, Le Confort Moderne em Poitiers e no Palazzo Ducale – Fondazione per la Cultura, em Génova.

Claire Fontaine is a conceptual and feminist collective artist founded in Paris in 2004 and based in Palermo. Finalist in 2013 in the prestigious Prix Marcel Duchamp, she has exhibited in museums and international shows including the Jewish Museum in New York, the Wattis Institute for Contemporary Art in San Francisco, Museion in Bolzano, the Neuer Berliner Kunstverein, the Städtische Galerie Nordhorn, the Shanghai Biennial  at the Power Station of the Arts, Le Confort Moderne in Poitiers and Palazzo Ducale – Fondazione per la Cultura, Genova.