Corpo Fechado

Carlos Motta

Catálogo editado pelas Galerias Municipais dedicado à exposição Corpo Fechado, do artista Carlos Motta, que esteve patente na Galeria Av. da Índia entre outubro de 2018 e fevereiro de 2019. Compilando ensaios inéditos dos curadores Sara Antónia Matos e Pedro Faro, do antropólogo Miguel Vale de Almeida e da filosofa Denise Ferreira da Silva, esta publicação apresenta a exposição, que abordou importantes temas como a opressão de minorias sexuais e de género, nas histórias da expansão colonial portuguesa a espanhola nas Américas (séc. XV-XVIII), propondo leituras alternativas sobre a História, em contraponto às narrativas mais hegemónicas e centrais.

“Em síntese, pode dizer-se que todos os trabalhos da exposição revistam – para reconsiderar – as fontes de opressão que as minorias sexuais e de género continuam a enfrentar hoje em dia. Através de uma investigação aprofundada, propondo leituras alternativas sobre a História, em contraponto às narrativas mais hegemónicas e centrais, a exposição desafia a autoridade e o patriarcado institucionais e propõe uma ideia de «progresso» que passa pela dissidência crítica.”
–Sara Antónia Matos e Pedro Faro

“Mas o hipotético visitante reacionário não vive no tempo das coleiras de ferro, mas no tempo das coleiras invisíveis. Não vive no tempo da penetração ocidental nos territórios indígenas, do tráfico de escravos e da economia da plantação, ou sequer no tempo do colonialismo moderno em África. Vive em tempos pós-imperiais. E não tem como recurso de informação e formação nem a teologia tornada em pedagogia e didática do quotidiano, nem a ciência novecentista tornada senso-comum evolucionista e racista.”
–Miguel Vale de Almeida

“No trabalho de Carlos Motta, em particular na exposição Corpo Fechado, descubro uma apresentação da subjetividade do oprimido (colonial-racial-de-género-sexual), enquanto condição emergente. Aposto e contrapondo-se à cena da transparência do sujeito, o oprimido figura na obra de Motta enquanto figura ética que reflete o seu contexto material de emergência. Agora essa materialidade só pode ser notada porque Motta não representa a subjetividade no espaço-tempo abstrato (absoluto, em que o sujeito goza da sua capacidade de regressar a si próprio) sem mediação. Ou seja, sem qualquer interferência que não se origine em si próprio.”
–Denise Ferreira da Silva

ler mais
ler menos