Factum exposição de Eduardo Gageiro apresentada no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional por ocasião dos 50 anos do 25 de Abril, dá corpo a esta publicação, que reúne uma seleção alargada do trabalho de um dos mais marcantes fotojornalistas portugueses. A amplitude e intensidade do seu arquivo tornam-se matéria para uma reflexão mais vasta sobre a história recente de Portugal e sobre a fotografia enquanto índice factual do real, acontecimento e memória, questões latentes nos ensaios de Sara Antónia Matos e Pedro Faro, Sérgio Gomes, e Carlos Moedas.
«Eduardo Gageiro é um dos mais notáveis fotógrafos portugueses, que não só acompanhou os acontecimentos, os modos de vida e as diversas personalidades da história recente de Portugal, como personifica a liberdade que abril nos trouxe.»
— Carlos Moedas
«A fotografia faz uma remissão aos facta que vagam na memória ou que alguns inclusive não viveram. Portanto, não será errado dizer que a imagem e a fotografi permitem construir a história da representação e uma memória coletiva da mesma — aspeto que ficou evidenciado na exposição de Eduardo Gageiro.»
— Sara Antónia Matos, Pedro Faro
«Temos uma procura da pessoa comum e do seu mundo, o seu meio e a sua condição; uma atenção ao trabalho braçal; ao quotidiano dos bairros pobres e, dentro deles, à deriva das crianças e dos velhos empobrecidos, tristes e em labuta até à morte; as tragédias que atingem sobretudo os mais desfavorecidos; o fervor (e a violência) das manifestações de fé; a denúncia da pobreza; e um ambiente geral de cansaço — Gageiro deu-nos naqueles anos a imagem e a expressão de um país exaurido, carregado, embora aqui e ali salpicado com o engrandecimento e dignificação do trabalho ou a alegria das crianças que se contentam a brincar na rua com pouco ou apenas entre si.»
— Sérgio Gomes


