Mise en abyme

Eduardo Batarda

Catálogo da exposição Eduardo Batarda. Mise en abyme que esteve patente na Galeria Pavilhão Branco, entre 27 maio e 28 de agosto de 2016. Reúne textos de David Barro, Pedro Faro e Julião Sarmento, assim como a correspondência via email deste último autor com o artista entre 2014 e 2016.

“É um trabalho tão colado ao autor que é dele indissociável. É um trabalho sobre a perda onde aparentemente só se vê o ganho. É também um puzzle infinito, que se desdobra dentro de si próprio, que se reproduz como um sistema fractal… Embora por vezes também se vejam as suas obras penduradas em cima de sofás, ou entaladas entre portas, ao pé de jarras, jarrinhas e napperons ou entre outros quadros inenarráveis que com elas nada têm a ver e as contaminam, a obra de EB não é nem decorativa nem acessível.”
– Julião Sarmento

“A sua obra trabalha a ruptura e a estrutura, a substituição e a diferença, a condição negativa do objeto ou a ontologia da negatividade. A imagem trabalhada em pintura, nas obras de Batarda, é conduzida a um estado limite, anulando-se progressivamente: experimenta e desmonta os seus princípios ontológicos. O ruído, o informe, a deterioração e o caos, enquanto propriedades e possibilidades, valorizadas e contrariadas, são caraterísticas que, de formas diferentes, com maior ou menor intensidade, encontramos nas obras de Eduardo Batarda. Tonturas perante este abismo?”
– Pedro Faro

“A pintura de Eduardo Batarda responde a um desejo que nunca para de ser revelado. Como se aspirasse a uma escuridão improvável. Ou a uma penitência, razão pela qual chamou Eros, ou, mais concretamente, Erros, aos seus quadros; a palavra equivocada. Enumerava assim os seus próprios erros, errando na ortografia. Mais uma vez o humor e o equívoco pairando nas suas intenções. Como uma ardósia escolar convertida em palimpsesto, continua a afirmar e a negar a pintura a vez, velando-a, ocultando-a, deformando-a. Trata-se da pintura como crítica, como território próprio, como construtora de sentido e de absurdo, como estratégia iconoclasta.”
– David Barro

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