Paisagens Interiores 

Filipe Branquinho

Catálogo da exposição Paisagens Interiores do fotógrafo Filipe Branquinho que esteve patente no Centro Cultural Português/Embaixada de Portugal em Maputo, Moçambique, entre novembro de 2015 e janeiro de 2016, e, posteriormente, na Galeria Av. da Índia, entre 24 março e 5 de junho de 2016. Reúne textos de Alexandra Pinto, Joana Gomes Cardoso, José Carrilho, José Forjaz, José Pinto de Sá, Mia Couto, e uma entrevista a Filipe Branquinho por Sandra Vieira Jürgens.

“Afastando-se de um registo documental convencional ou de uma busca em fixar edifícios icónicos da cidade, com a série de trinta fotografias de Paisagens Interiores Branquinho enceta uma viagem por espaços públicos e semipúblicos da cidade, geralmente interiores de edifícios, saturados de vestígios e passagens, de histórias e indícios, de uma oscilação permanente entre presente e passado que prende o olhar. Cinemas, rádio, associações, arquivos, escolas, piscinas são revisitados sem nostalgia pelo olhar perscrutador e apaixonado e depurado do fotógrafo.”
– Alexandra Pinto

“As paisagens que vemos nesta exposição levam-nos efetivamente a uma viagem interior. A atualidade das fotografias e a banalidade da ação que muitas delas retratam contrastam com o passado que elas evocam e a emoção que podem provocar m quem passou por estes sítios.”
– Joana Gomes Cardoso

“O olhar de Branquinho é o de um fotógrafo e de um arquiteto. Mas é, sobretudo, o olhar de quem sabe que uma bela imagem pode dizer o que as palavras se esquecem de dizer. Pela mão de Filipe Branquinho partilhamos um mesmo parentesco: desenhadores de cidades sem mapa nem geografia.”
– Mia Couto

“Sandra Vieira Jürgens: Não posso deixar de assinalar um aspeto importante, que se evidencia nesta série: a presença de lugares e de edifícios que combinam simultaneamente referências ao passado e ao presente. Isso é consciente e intencional?
Filipe Branquinho: Fotografei lugares que preservam vestígios de diferentes épocas, sobretudo técnicas e materiais de construção, cores, mobiliário, equipamento, objetos de trabalho e de decoração. É quando estas evidências coabitam que melhor se percebem as mudanças e os períodos pelos quais um edifício passou e se constroem as narrativas sobre um determinado espaço.”
– Sandra Vieira Jürgens e Filipe Branquinho

“Além da funcionalidade, por vezes a expressão epidérmica da arquitectura resulta de um processo através do qual se busca um véu funcionando nos edifícios como um dos elementos definidores da sua personalidade ou, no conjunto, como elemento intrínseco de busca de identidades várias na cidade.”
– Júlio Carrilho

“A maior força destas imagens poderosas vem-lhe exactamente do que deixa para o observador: a responsabilidade do senti-las como parte do seu universo imaginário… ou de um mundo que porventura nem imaginava e que vai deixá-lo numa perplexidade sugestionada pelo aleatório e esporádico registo de um universo de realidades subtis descobertas e alinhadas com um sentido que cabe ao fotógrafo fazer-nos descobrir: a intensidade poética dos espaços e dos momentos mais prosaicos e mais comuns, pelos quais passamos, cegos e surdos.”
– José Forjaz

“Moro na Avenida Karl Marx, num sexto andar com sobreloja e sem elevador. As lâmpadas da escada ficam acesas dia e noite. Nos andares a luz é brutal mas os patamares são sombrios, num deles grafitaram na parede Tou pidir menos escadas. Até ao sexto andar conheço cada degrau, até sei onde há as maiores manchas de chuinga no granolito amarelo.”
– José Pinto de Sá

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