Por quanto tempo mais terei de nadar? – uma litania pela sobrevivência, é a publicação derivada da exposição homónima de Sara Fonseca da Graça – Petra.Preta, com curadoria de Melissa Rodrigues. Conta com ensaios de Sara Antónia Matos e Pedro Faro, Melissa Rodrigues, Raquel Lima, Doriedson Nigro, que prolongam o lugar de possibilidade e imaginação radical gerado pela artista. A mostra esteve patente na Galeria da Boavista de 6 de julho a 20 de outubro de 2024.
«Num momento de tanta crispação social, polarização, simplificação argumentativa, e, também, muita violência, Petra.Preta — Sara Fonseca da Graça criou nesta exposição um complexo e desarmante momento de reflexão, onde se pode imaginar novas figurações na arte e na vida, reconfigurando a identidade e o movimento constante de sobrevivência.»
— Sara Antónia Matos e Pedro Faro
«Contrariando as narrativas de desumanização, coisificação e fetichização do corpo negro, como corpo marcado por uma história única, Sara Fonseca da Graça, num exercício de subversão contracolonial, — utilizando o conceito de Nêgo Bispo — resgata e ressignifica a alegria, o júbilo e a vivência negra, concebendo um imaginário onde é permitido ao corpo negro, às mulheres negras, saborear o direito à leveza e ao prazer.»
— Melissa Rodrigues
«Uma tomada de consciência que me remete para o alerta de Jota Mombaça5, sobre a forma como culturas dissidentes vão sendo sistematicamente apropriadas pelas nórdicas capitalistas que visam garantir a fruição de um público maioritariamente branco, cis-género e heteronormativo, acomodado num sistema artístico que inclusive explora as dimensões da dor e da ferida, não com o objetivo de cura, mas da reprodução e perpetuação da violência histórica.»
— Raquel Lima
«O sistema colonial não só condenou o descanso como dele se apoderou. Parar o sistema era um ato de resistência. No senso comum parar, ou simplesmente descansar, é lido como moleza, fragilidade e/ou preguiça. E a preguiça é vista como um mau exemplo. No Brasil os discursos colonialistas associaram a preguiça aos baianos e indígenas. Na Bahia, território mais negro do país, a preguiça foi ideologicamente construída pela elite para vigiar e punir à negritude.»
— Doriedson Nigro


