Presente | Present

Qualquer coisa de intermédio

Artistas Catarina Botelho
Curadoria Sandra Vieira Jürgens
Inauguração 18/01/2020 17:00
Data De 19/01/2020 a 19/04/2020
Sobre a exposição

Catarina Botelho apresenta no Pavilhão Branco um projeto expositivo composto por uma série fotográfica formada por diferentes núcleos e uma instalação de filme, que evocam algumas das suas preocupações atuais. O conjunto reflete sobre a forma como hoje vivemos o tempo, a condição do espaço urbano, como se rompem as lógicas organizacionais que o regulam e a proposta de uma contra-narrativa que compreenda o surgimento de possibilidades de existência esquecidas e invisíveis na cidade. O seu foco são as resistências humanas e vegetais, numa cidade e num tempo neoliberais.

Nas palavras da curadora, “qualquer coisa de intermédio congrega vários núcleos de imagens, que nos colocam sobretudo perante paisagens marginais, incluindo composições identificadas como povoamentos das periferias e de centros urbanos. Num primeiro grupo de fotografias destacam-se terrenos baldios que funcionam como contra-imaginário da cidade neoliberal planeada para a maximização de uma certa ideia de actividade e eficácia. São espaços imprecisos, ocupados por árvores, arbustos, canaviais, onde se deixam observar amontoados de materiais e destroços de mobiliário abandonado, colagem de múltiplas texturas e cores, acrescentadas de coberturas e muros realizados com objectos encontrados aqui e ali — construções precárias de arquitectura informal, clandestina, de crescimento improvisado e orgânico.”

ENG

Catarina Botelho presents an exhibition consisting of a photographic series with different nuclei as well as a film installation that stem from her current research. The exhibition reflects on the way we live and how we spend time nowadays, the conditions of the urban space as well as the articulation of its organizational and regulatory logics and culminates in a proposal for a counter-narrative that comprehends the emergence of forgotten and invisible possibilities to exist in the city. Its fulcrum is then the resistance of all human beings as well as vegetation in the era of life in neoliberal cities.

According to the curator, “Something In Between brings together several image nuclei, which above all, position us in front of marginal landscapes, including compositions depicting settlements in the periphery and in urban centers, alike. Vacant lots stand out among the first group of photographs, functioning as a counter-imaginary to the neoliberal city, which is planned to maximize certain notions of ​​activity and efficiency. They are crude spaces, occupied by trees, shrubs, and reeds, where you can see heaps of materials and the wreckage of abandoned furniture, collages of multiple textures and colors, accumulations of coverings and walls made with objects found here and there – precarious constructions of informal, clandestine architecture, marked by improvised and organic growth.”

Biografia

Catarina Botelho (Lisboa, 1981) artista visual, vive e trabalha em Lisboa e Barcelona. O seu trabalho relaciona-se com os usos e vivências dos espaços, arquitectura e cidade, e as noções de tempo e produtividade. Organiza e participa em actividades e espaços de debate e pensamento colectivos e está envolvida nos movimentos do direito à cidade. Actualmente é residente na Escocesa – Fábrica de Criação de Barcelona.

Botelho expõe desde 2005, destacando-se: Elba Benítez en Kvadrat, Madrid; Sesc Pinheiros, São Paulo; Villa Iris, Fundación Botín, Santander; Haus der Photographie, Hamburgo; Fundação EDP – Museu da Electricidade, Lisboa; Centre de Cultura SaNostra, Palma de Mallorca; Fundação Gulbenkian, Lisboa; Casa de Serralves – Fundação de Serralves, Porto; La Casa Encendida, Madrid; e Caja Madrid, Barcelona. Em 2017 estreou o seu primeiro filme Notas de Campo.

Licenciou-se em pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e estudou fotografia na escola ArCo e no âmbito do Programa Criatividade e Criação Artística da Fundação Gulbenkian. Recentemente terminou o Programa de Estudos independentes do MACBA – Museu de Arte Contemporânea de Barcelona.

 

ENG

Catarina Botelho (Lisboa, 1981) visual artist, lives and works in Lisbon and Barcelona. Her work is related to the use and experiences of spaces, architecture and city, and the notions of time and productivity. Catarina Botelho organizes and participates in activities and collective debate and thinking and she is involved in “right to the city” movements. She is currently a resident of the Scottish Creation Factory of Barcelona.

Botelho has exhibited since 2005. Most relevant exhibitions: Elba Benítez en Kvadrat, Madrid; Sesc Pinheiros, Sao Paulo; Villa Iris, Botin Foundation, Santander; Haus der Photographie, Hamburg; EDP ​​Foundation – Electricity Museum, Lisbon; SaNostra Culture Center, Palma de Mallorca; Gulbenkian Foundation, Lisbon; Serralves House – Serralves Foundation, Porto; La Casa Encendida, Madrid; and Caja Madrid, Barcelona. The debut of her first film, Field Notes, was in 2017.

She graduated in painting at the Faculty of Fine Arts of Lisbon and studied photography at ArCo school and under the Gulbenkian Foundation’s Creativity and Artistic Creation Program. She recently completed the Independent Studies Program at the MACBA – Museum of Contemporary Art in Barcelona.

Mediação

Programas Públicos / Public Programs
Catarina Botelho, “qualquer coisa de intermédio”
Pavilhão Branco

29 fevereiro / February 29

16h30 / 4.30pm
“Habitar fissuras num tempo sem fissuras”
conversa com André Barata

18h / 6pm
Projeção do filme/performance
O tempo das coisas, (trabalho em processo / work in progress)
Catarina Botelho
Video 47min
Produzido no contexto do programa Apoio à criação (convocatória de produção) de “La Caixa” / Produced within the framework of ”la Caixa” Foundation’s programme to support artists

“Habitar fissuras num tempo sem fissuras”
conversa com André Barata

Com a modernidade, o tempo tornou-se abstracto, espectral, desligado dos acontecimen-tos, uma estrutura impassível, sem fissuras. O que era também acontecimento e anúncio, Kayrós, passou a ser dispositivo de medida de acontecimentos, sobretudo humanos, mu-nido de instrumentos sociais que o concretizem, a começar pelo relógio, o horário de trabalho, a produtividade, a acumulação. Pela medida do tempo, instalou-se um disposi-tivo artifical, cada vez mais desmaterializado, de conformação social. Neste quadro, fis-surar esse fantasma em que se transformou o tempo tornou-se possibilidade de emanci-pação. Mas, além disso, habitar uma fissura, tornou-se a possibilidade de nos devolver uma experiência do espaço-tempo menos alienada, que volta a fazer ligamento com o mundo e a sua materialidade. A partir desta linha de pensamento, orlas, fronteiras, oro-grafias, apropriação de espaços urbanos, suas ressignificações imaginativas, por exemplo o skate, serão tema de uma conversa sobre o nosso tempo-espaço.

Professor na UBI (Universidade da Beira Interior), com interesses na filosofia social e política e no pensamento existencial e fenomenológico. Publicou vários livros, alguns de ensaio, mas também textos mais experimentais. Os seus principais livros de ensaio são Metáforas da Consciência, Campo das Letras, 2000; Primeiras Vontades, Documenta, 2012; E se parássemos de sobreviver?, Documenta, 2018. Também assina uma rubrica no Jornal Económico, com o título Pensar Devagar.

ENG
Inhabiting the fissures in a time without fissures
conversation with André Barata

With the modern age, time became abstract, spectral, disconnected from events, an im-passive structure, without fissures. Kayrós, which also implied occurrence and an-nouncement, came to be a device for measuring occurrences, especially human ones. Equipment and social instruments to achieve these measurements were first the clock, than the work timetable, productivity and accumulation. The measuring of time estab-lished an artificial, increasingly de-materialised device. In this context, opening fissures within a ghost that time has become, opened a possibility of emancipation. Beyond this, inhabiting those fissures made it possible for us to return to a less alienated experience of space-time that once again links with the world and its material quality. Starting with this line of thought, edges, borders, orography, appropriation of urban spaces and their imaginative redefinition, for example skateboarding, will be the theme of a conversation about our time-space.

André Barata is a professor at UBI (University of Beira Interior) with an interest in so-cial and political philosophy as well as existential and phenomenological thought. He has published several books of essays, but also more experimental texts. His main essay collections are Metáforas da Consciência, Campo das Letras, 2000; Primeiras Vontades, Documenta, 2012; and E se parássemos de sobreviver?, Documenta, 2018. He also writes a column with the title Pensar Devagar for Jornal Económico.

Projeção do filme
O tempo das coisas, (trabalho em processo / work in progress)
Catarina Botelho

A productividade é hoje um valor central das sociedades ocidentalizadas. De formas mais ou menos conscientes acreditamos que temos que ocupar cada momento do nosso dia de maneira productiva. Poderá a casa ser um lugar onde seja possivel, resistir, pensar, sair de um tempo acelerado e entrar num tempo das coisas? Este projecto é uma reflexão sobre tempo e a vida.

ENG
The Time of Things (work in progress)
Catarina Botelho
Video 47min.

Productivity is a key value in westernised societies today. In more or less conscious ways we believe that we must occupy each minute of our day in a productive way. Could the house be a place where it is possible to resist, to think, to leave behind that hurried time and enter a time of things? This project is a reflection on time and life.


©Catarina Botelho

©Catarina Botelho

©Catarina Botelho

©Catarina Botelho

©Catarina Botelho