Passado | Past

2019

 

 

 

2018

 

Topografias Rurais / Rural Topographies

Artistas Alberto Carneiro / Ana Lupas / Lala Meredith-Vula / Claire de Santa Coloma
Curadoria Tobi Maier
Inauguração 07/12/2019 17:00
Data De 08/12/2019 a 23/02/2020
Sobre a exposição

As Galerias Municipais apresentam na Galeria Quadrum a exposição “Topografias Rurais / Rural Topographies”, com curadoria de Tobi Maier. Esta exposição apresenta um núcleo na Galeria Diferença.

“Topografias Rurais” mostra analogias entre a obra de Alberto Carneiro e a de três artistas de gerações e contextos geográficos diferentes: Ana Lupas, Lala Meredith-Vula e Claire de Santa Coloma.

e Alberto Carneiro para um manifesto da arte ecológica foram originalmente redigidas como entradas do seu diário, entre dezembro de 1968 e fevereiro de 1972. Um período temporal num passado distante, pré-Chernobil e muito antes de o termo «permacultura» ter sido cunhado ou de os efeitos das aceleradas alterações climáticas começarem a ser sentidos. Numa altura em que testemunhamos uma crescente urbanização os artistas procuram no meio rural uma fonte de inspiração.

 

A exposição encontra-se dividida em duas secções, cobrindo uma variedade de suportes utilizados por Alberto Carneiro. No ano em que celebra o seu quadragésimo aniversário, a Cooperativa Diferença (de que Alberto Carneiro foi sócio e membro do núcleo fundador e onde realizou exposições individuais em 1979 e 1981) apresenta uma série de desenhos a grafite produzidos no final da carreira do artista e que nunca antes foram expostos. Estes trabalhos aludem às imediações do seu atelier, bem como às paisagens montanhosas do Norte de Portugal. São também apresentados três trípticos elaborados a partir do esmagamento, sobre papel, de pétalas de flores colhidas pelo artista no seu jardim em São Mamede do Coronado, perto do Porto.

A segunda secção da exposição, instalada na Galeria Quadrum (onde o artista realizou cinco exposições individuais entre 1975 e 1983), evoca os gestos performativos do artista. Como a balsa da medusa, o centro do espaço da galeria é ocupado por “Metáforas da água ou as naus a haver por mares nunca de antes navegados” (1993-1994), juntamente com trabalhos e documentação derivados da sua “Operação estética em Vilar do Paraíso”, realizada em março de 1973 numa localidade nas imediações de Vila Nova de Gaia.

 

Os trabalhos de Claire de Santa Coloma fazem referência à obra de Alberto Carneiro e à do escultor franco-romeno Constantin Brâncuși. Para Santa Coloma, o processo da escultura é um ato de resistência. Situadas no espaço urbano, as suas rotinas diárias fazem alusão às de um agricultor ou de um artesão. A prática da cinzelagem manifesta-se como quase terapêutica e decididamente espiritual.

Ana Lupas criou as suas esculturas de forragens, sobretudo em formas circulares, em colaboração com comunidades de aldeias da Transilvânia. Concebida a partir de 1964 para um ambiente exclusivamente rural, a obra “The Solemn Process” consiste numa série de estruturas corpóreas prototípicas de várias dimensões, feitas a partir de materiais perecíveis, como palha de trigo, cânhamo, algodão, madeira e metal.

Por fim, as fotografias de Lala Meredith-Vula pertencentes à série “Haystacks” (iniciada em 1989 e ainda em curso) também emergem no leste europeu, um contexto que está longe de ser homogéneo e que ainda hoje se debate com a desordem resultante da dissolução dos regimes autoritários após a queda da Cortina de Ferro, há trinta anos atrás, no ano de 1989.

Lupas, que foi alvo de repressão por parte do regime comunista, durante o seu processo de criação a partir de meados da década de 1970, executou as suas esculturas em colaboração com diversos habitantes locais, enquanto a investigação e representação de palheiros empreendida por Meredith-Vula ao longo de uma década também lhe permitiu aproximar-se do povo da Albânia, terra nativa do seu pai.

Os visitantes poderão considerar estas posições artísticas semelhantes na forma, mas, todavia, diferentes quanto à sua conceção histórica. Em conjunto, criam uma rede de diferentes abordagens ado rural, ao mesmo tempo que chamam a atenção para preocupações ecológicas. Estas obras constituem poderosos significantes num discurso global sobre o regionalismo, constituindo, igualmente, um apelo (poético) à ação no âmbito do nosso ambiente natural.

A exposição pode ser vista na Galeria Quadrum de terça a sexta-feira, das 14h30 às 19h e ao sábado e domingo das 10h às 13h e das 14h às 18h, até 23 de fevereiro 2020.

A exposição pode ser vista na Galeria Diferença na Rua S. Filipe Nery, 42 C/V 1250-227 Lisboa entre terça e sexta 14h-19h e aos sábados entre 15h e as 20h, até 8 de fevereiro 2020.

A Galeria Diferença e as Galerias Municipais agradecem o apoio da Fundação Carmona e Costa na edição do catálogo.

 

English version

Alberto Carneiro’s notes for a manifesto of ecological art were originally penned as entries in his diary between December 1968 and February 1972. This is a distant past, pre-Chernobyl and long before the term ‘permaculture’ was coined or the effects of accelerated climate change could be felt. While we are witnessing increasing urbanisation artists have also sought out the rural realm as a source of inspiration. Rural Topographies | Topografias Rurais presents analogies between the work of Alberto Carneiro and three artists from different generations and geographical contexts: Ana Lupas, Lala Meredith-Vula and Claire de Santa Coloma.

The exhibition is divided into two chapters, covering a variety of media employed by Alberto Carneiro. Celebrating its fortieth birthday this year, Cooperativa Diferença (where Carneiro was a member and held solo shows in 1979 and 1981) presents a series of graphite drawings produced towards the end of the artist’s career and which have never been exhibited before. These works hint at the immediate surroundings of his studio and the hilly landscapes of Northern Portugal. Also presented are three triptychs produced by pressed flower petals that were plucked by Carneiro from plants in his garden in São Mamede do Coronado near Porto.

The second exhibition chapter, installed at Galeria Quadrum (where Carneiro held five solo exhibitions between 1975 and 1983), evokes Carneiro’s performative gestures. Like the raft of the medusa, installed at the centre of the gallery space one encounters Metáforas da agua ou as naus a haver por mares de antes navegados, (Metaphors of water or, The ships yet-to-be by oceans where none have ventured , 1993-1994) alongside works and documentation stemming from his Operação estetica em Vilar do Paraíso (Aesthetic Operation in Vilar do Paraíso, 1973), which was performed during March 1973 near Vila Nova de Gaia.

Claire de Santa Coloma’s work references Carneiro as well as Romanian-French sculptor Constantin Brâncuși. For Santa Coloma, the process of sculpting is an act of resistance. Situated within the urban, her daily work routines allude to those of a farmer or craftsman. The practice of chiselling appears to be almost therapeutic and decidedly spiritual.

Ana Lupas created her fodder sculptures mostly in the form of wreaths and in collaboration with the communities of Transylvanian villages. Conceived in 1964 for an exclusively rural environment, The Solemn Process consists of a series of prototypical corporeal structures of various dimensions made of perishable materials such as wheat straw, hemp, cotton, wood and metal.

Finally, Lala Meredith-Vula’s photographs from the Haystacks series (1989 -ongoing) are also set within an Eastern European context that is far from homogenous and which is still battling the turmoil brought about by the dissolution of authoritarian regimes following the fall of the iron curtain thirty years ago in 1989.

If Lupas suffered repression when creating works during the communist era from the mid-1970s onwards and collaborated with many locals for her sculptures, Meredith-Vula’s decade long research and portrayal of haystacks also brought her closer to the people of her father´s native Albania.

Viewers can consider the artistic positions as similar in form yet different in historical conception. They create a network of different approaches to the rural and simultaneously call attention to ecological concerns. The works constitute potent signifiers within a global discourse of regionalism as well as representing a call to (poetic) action within our natural environment.

Galeria Diferença and Galerias Municipais acknowledge the support of Fundação Carmona e Costa towards the forthcoming publication.

Gallery hours at Quadrum are from Tuesday to Friday, 2.30 – 7pm and on weekends between 10am –  1pm and from 2 – 6pm. Galeria Diferença: Tuesday to Friday 2 – 7pm and Saturdays from 3 – 8pm

 

Biografia

Alberto Carneiro (São Mamede de Coronado, 1937 – Porto, 2017) foi um artista português.

Ana Lupas nasceu em Cluj, em 1940, onde vive e trabalha.

Lala Meredith-Vula nasceu em Sarajevo, em 1966. Vive e trabalha em Leicester.

Claire de Santa Coloma nasceu em Buenos Aires, em 1983. Vive e trabalha em Lisboa.

 

 

Alberto Carneiro (São Mamede de Coronado, 1937 – Porto 2017) was a Portuguese artist.

Ana Lupas was born in Cluj in 1940. She lives and works in Cluj.

Lala Meredith-Vula was born in Sarajevo in 1966. She lives and works in Leicester.

Claire de Santa Coloma was born in Buenos Aires in 1983. She lives and works in Lisbon.


©Guillaume Vieira

©Guillaume Vieira

©Guillaume Vieira

©Guillaume Vieira

©Guillaume Vieira

©Guillaume Vieira

©Guillaume Vieira

©Guillaume Vieira

©Guillaume Vieira

©Guillaume Vieira

©Guillaume Vieira

©Guillaume Vieira

©Guillaume Vieira

©Guillaume Vieira

©Guillaume Vieira

A oficina de pintura encarregar-se-á das partes pintadas do cenário

Artistas plásticos que entraram em cena no São Luiz
Artistas Vários
Curadoria Susana Pomba
Inauguração 07/09/2019 17:00
Data De 08/09/2019 a 24/11/2019
Sobre a exposição

A exposição reúne objectos, performances, documentação e material gráfico relativo a colaborações de artistas plásticos com companhias e espectáculos que estiveram em cena no São Luiz, neste século XXI. O título é uma frase de outrora, redundante mas ainda assim curiosa, encontrada no meio de um programa antigo. Esta frase serve aqui para questionar a posição nestas últimas décadas da criação plástica (muitas vezes solitária) dentro do contexto das artes performativas (quase sempre de autoria partilhada). Onde se encontra a colaboração? Como se desenvolveu? O cenário ainda se “pinta”?

Do leque de artistas representados, contam-se os nomes de Vasco Araújo, Bruno Bogarim, João Pedro Vale & Nuno Alexandre Ferreira, Javier Núñez Gasco, Sofia Gonçalves, Tatiana Macedo, Adriana Molder, Pedro Neves Marques, Miguel Palma, Isaque Pinheiro, Júlio Pomar, Ana Pérez-Quiroga, Mariana Silva, Joana Villaverde, entre outra(o)s.

A exposição inclui ainda duas performances, de Mariana Silva (performer: Joana Manuel) e de Sofia Gonçalves (performers: André e. Teodósio e Patrícia da Silva), que terão lugar no dia 14 de setembro, às 17h.

 

Esta exposição integra a programação paralela fora de portas das comemorações dos 125 anos do Teatro São Luiz.

 

ENG

Objects, performances, documentation and graphic material concerning artist collaborations with theatre companies and shows that were performed at São Luiz Municipal Theatre, during the 21st century. The title [The painting workshop will be responsible for the painted parts of the set] is a sentence belonging to another time, redundant but quaint, found in between the pages of an old program. This sentence is used here to question the position in the last decades of artistic creation (many times solitary) within the context of the performing arts (almost always of shared authorship). Where can we find these collaborations? How did they develop? Do we still “paint” the set?

Artists: Vasco Araújo, Bruno Bogarim, João Pedro Vale & Nuno Alexandre Ferreira, Javier Núñez Gasco, Sofia Gonçalves, Tatiana Macedo, Adriana Molder, Pedro Neves Marques, Miguel Palma, Isaque Pinheiro, Júlio Pomar, Ana Pérez-Quiroga, Mariana Silva, Joana Villaverde, among others.

The exhibition is included in the side programme of Teatro São Luíz´s 125 years celebrations.

The exhibition includes two performances presented by Mariana Silva (performer: Joana Manuel) and by Sofia Gonçalves (performer: André e. Teodósio and Patrícia da Silva), on the 14th September 5pm. 

Biografia

****

Mediação

Performances:
14/09 – 17h 5pm
Mariana Silva – performance/ conferência – performance/conference
Sofia Gonçalves – performance/visita – performance/visit



















história secreta da aviação e alguns meteoritos

Artistas Manuel Zimbro
Curadoria Galerias Municipais
Inauguração 04/05/2019 17:00
Data De 05/05/2019 a 07/07/2019
Sobre a exposição

«Difícil é não deixar vestígios, e, sem história, sem sair do anonimato, ir assinalando apesar de tudo, as mais pequenas, incríveis e remotas paragens onde paira o equilíbrio de tudo com tudo»* Tal é o gesto que, à vista desarmada, Manuel Zimbro dá a ver, de história secreta da aviação, a Torrões de terra, dos livros e pedras, à banda desenhada Le lait de la voie lactée que agora se apresenta em edição fac-similada.

*[in história secreta da aviação, notas com gravidade para pôr em órbita uma aspiração comum]

Biografia

Manuel Zimbro

Nasceu em Lisboa em 1944 e estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio. Instalou-se em Paris no final dos anos 60 onde foi assistente de René Bertholo e conheceu Lourdes Castro. Nas décadas de 70 e 80 colaborou no Teatro de Sombras de Lourdes Castro com a criação de dispositivos de iluminação e partilhando a autoria das obras As Cinco Estações, 1976-80 e Linha de Horizonte, 1981-85.

O trabalho de Manuel Zimbro foi exposto em seis momentos: Torrões de Terra, Assírio & Alvim, Lisboa, 1995; história secreta da aviação, Porta 33, Funchal, 1997; história secreta da aviação, Assírio & Alvim, Lisboa, 1998; história secreta da aviação, Galeria Lino António, Escola Artística António Arroio, Lisboa, 2005; À Luz da Sombra, Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves, Porto, 2010; e Linha de Horizonte, Chiado 8, Lisboa, 2013.

Aproximou-se do pensamento de David Bohm e do budismo zen, cuja filosofia divulgou em Portugal. Em 1993 organizou com Pedro Morais a exposição Sutra do Coração. Caligrafia do mestre zen Hôgen Daidô no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Co-traduziu e coordenou o livro Folhas Caem, um Novo Rebento e No caminho aberto, ambos da autoria de Hôgen Yamahata. Em 2003 coordenou a edição do volume colectivo Desenho com Nuno Faria, uma iniciativa da Fundação Carmona e Costa. Morreu em 2003 na Ilha da Madeira.

Mediação

Visitas Mediadas Gratuitas

Abordagens e Processos na Arte Contemporânea
Escolas – Ensino Secundário e Superior – Atividade adaptável aos 1º, 2º e 3º ciclo
de terça a sexta-feira
Marcação Prévia: servicoeducativo@galeriasmunicipais.pt

 

©Pedro Tropa






Assentamento

Artistas António Bolota
Curadoria Sara Antónia Matos
Inauguração 01/02/2019 18:00
Data De 02/02/2019 a 14/04/2019
Sobre a exposição

As Galerias Municipais/EGEAC apresentam ASSENTAMENTO de António Bolota, na Galeria Quadrum, com curadoria de Sara Antónia Matos.

A exposição de António Bolota na Galeria Quadrum enquadra-se num programa que tem como base a remodelação da histórica Galeria Quadrum, a qual reabriu as portas ao público em 11 de Outubro de 2018, devolvendo ao espaço expositivo a transparência arquitectónica e a amplitude que lhe eram originalmente características, permitindo estabelecer uma relação mais dinâmica com o exterior e a comunidade envolvente. Esta remodelação, que transforma o espaço expositivo numa longa nave, vazia, de paredes envidraçadas e luz rasante, condiciona a tipologia de exposições aí patentes, nomeadamente pela ausência de suportes expositivos, tais como paredes. Estas condicionantes parecem todavia ser extremamente convidativas para artistas que, mais do que ocuparem o espaço, se servem dele e das suas valências cruas, estruturais, como matéria de trabalho. Na nova linha de programação, a qual prevê a revisitação de momentos, artistas e exposições paradigmáticos da arte contemporânea, procurando pensar de que modo certos conceitos ou ideias continuam operantes na actualidade, havia que integrar artistas que conseguissem dar conta da nudez estrutural deste espaço, agora esvaziado e reduzido aos seus meios mínimos – algo porventura assustador. Ora, ninguém melhor para o fazer do que António Bolota, filiado numa relação gramatical, triangular, que se joga entre a arquitectura, a engenharia dos materiais e a escultura, para mostrar como o espaço pode ser trabalhado, ocupado, potenciado e mostrado nas suas valências próprias, sem qualquer apetrecho.

 

Segundo a curadora, Sara Antónia Matos, “é neste quadro de referências, comprometendo-se com a radicalidade deste convite, que pedia ao artista um envolvimento cru com o espaço, que surge a intervenção de António Bolota. Esta consiste em pôr à mostra um léxico gramatical ligado à escultura e à construção, tornando-a peça central, una, experiência fenomenologia e peripatética – exigindo do espectador uma movimentação, pelos extremos da galeria, ao longo do espaço. A área central, entre pilares, encontra-se integralmente ocupada. A peça é um depósito ou assentamento de fragmentos de escultura, de geometrias clássicas, em betão armado, colocados em camadas umas sobre as outras, e separadas por barrotes de madeira, sendo possível atravessar a extensão da peça – que se oferece como um reticulado – apenas com o olhar. A peça é composta por vários elementos que compõem o léxico fundamental da disciplina escultórica e de todas actividades ligadas à construção, um léxico que atravessa o tempo e nele permanece, silencioso, imóvel, como que afirmando e reafirmando a permanência das raízes disciplinares. Também por isso esta peça é um receptáculo de tempo, uma peça leve no aspecto e pesada em termos de massa, cuja luz a atravessa, permitindo questionar o que dessas raízes e princípios se mantém operante. O que faz com que uma obra de arte continue a ecoar através dos tempos, e mais que isso, qual a razão para se continuar a fazer escultura? A intervenção de António Bolota na Galeria Quadrum é uma escultura sobre o tempo e sobre a sobrevivência nele.

A peça é impressionante, não apenas por ser um colosso deitado que ocupa toda a galeria, não apenas pela sua dimensão massiva e pela sua complexidade construtiva – feitura que ocupou o artista durante meses. Ela é impressionante porque é uma homenagem à escultura e a todas as actividades construtivas, um hino à tectónica e sobretudo à história singular desta galeria, onde passaram artistas marcantes da história da arte portuguesa e onde se viveram momentos incontornáveis, testando e levando a cabo experimentações arrojadas, fosse pela sua nudez mais singela, fosse pela complexidade conceptual que implicavam.”

A exposição pode ser vista de terça a domingo das 10h às 13h e das 14h às 18h.

Biografia

António Bolota nasceu em Benguela (Angola, 1962) e veio para Portugal em 1975. Fornou-se em Engenharia Civil pelo ISEL (1981-1985) mantendo o exercício desta atividade até à presente data. Iniciou a sua formação artística em Desenho e Pintura, entre 1994 e 1998, na Escola «Oficina das Artes» e na Cooperativa «Atitude», ambas em Cascais. Ingressou em 2001 na ArCo onde deu continuidade a esta formação, desenvolvendo os seus conhecimentos em Estética, História de Arte e Prática do Desenho, até 2003. De 2004 a 2007, na mesma Escola, frequentou o curso de Escultura. Concluiu a sua formação artística ao frequentar o Curso Avançado do ArCo entre 2006 e 2008. Iniciou a sua prática artística em 2006 com a exposição coletiva «Sem Título» («Telhados») na Interpress em Lisboa, e desde então tem vindo a expor regularmente o seu trabalho.

Mediação

Visitas Guiadas – Escolas

terça a sexta-feira
Marcação Prévia: servicoeducativo@galeriasmunicipais.pt


Visitas Guiadas – Público Geral

9 e 16 fev
2, 9, 16, 23 e 30 março
6 e 13 abril
15h30 às 16h30








Vaivém

Bruno Pacheco
Artistas Bruno Pacheco
Curadoria EGEAC/Galerias Municipais / Fundação Carmona e Costa
Inauguração 11/10/2018 18:00
Data De 12/10/2018 a 13/01/2019
Sobre a exposição

A exposição que Bruno Pacheco (Lisboa, 1974) agora apresenta na Galeria Quadrum é composta por cerca de quatrocentas pinturas sobre papel, numa selecção de obras que recobre o seu percurso na última década. Organizadas em livros folheáveis, dispostos sobre mesas desenhadas especificamente para o efeito, estas obras não só permitem mergulhar profundamente no imaginário pictórico de Bruno Pacheco, como saem deliberadamente do seu lugar tradicional na parede da galeria para se darem a ver de um modo que se quer mais directo, mais próximo e mais orgânico.

O título desta exposição – Vaivém – remete tanto para o movimento implicado no circundar as vinte e duas mesas da exposição, quanto para a noção de viagem que os conteúdos propõem. Se, por um lado, as sequências estabelecidas dentro de cada livro possibilitam deambular por diferentes temas, perscrutar uma mesma cena ou atravessar pequenas narrativas, por outro, as relações que o artista sugere ao agrupar ou estabelecer determinadas vizinhanças entre livros estimulam uma leitura elíptica em cujos intervalos se funda o espaço da subjectividade do visitante.

Mais do que a oportunidade para aferir a crescente relevância de um dos mais internacionais artistas portugueses da actualidade, Vaivém é o veículo que nos permite aceder ao centro nevrálgico da prática de Bruno Pacheco – ao lugar onde se estabelecem todos os nexos, onde se trata toda a iconografia e se urdem todas as relações pictóricas do seu universo referencial. É lá, também, que o artista zela pela manutenção do equilíbrio sensível entre os desafios contidos nas suas escolhas artísticas e a resposta que elas oferecem a uma contemporaneidade que assiste a uma erosão sem precedentes do valor simbólico da imagem.

Biografia

Bruno Pacheco estudou Pintura na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa e no Goldsmith College em Londres. De entre as suas inúmeras exposições, destaque para as presenças no Barbican Center (Londres), MUDAM (Luzemburgo), Bloomberg Space (Londres), Beijing Biennale (Beijing), Whitechapel Gallery (Londres), Mackintosh Museum (Glasgow), Museu de Serralves (Porto), Van Abbemuseum (Eindhoven) ou Bienal de São Paulo. Em Portugal, a sua obra foi alvo de exposições individuais em instituições como Culturgest Lisboa, Culturgest Porto ou Casa das Histórias Paula Rego. Bruno Pacheco foi bolseiro do IAC (1999) e da Fundação Gulbenkian (2000/01 e 2004/05). Em 2004 recebeu o Red Mansion Prize e, no ano seguinte, o Prémio União Latina. Este ano de 2018 foi um dos recipientes da bolsa internacional da Fundación Botín e estará presente na próxima Bienal de Sharjah.

Mediação

Visita Guiada ao Sábado
8, 15 e 29 Dezembro / 5 e 12 Janeiro
15h30 às 16h30

Público Geral
Gratuita

Visitas Guiadas Escolas
Ensino Secundário e Ensino Superior
de terça a sexta-feira
Marcação Prévia: serviçoeducativo@galeriasmunicipais.pt

Mais Informações descarregar mais informações





Pintura Gestual, Informal, Caligráfica e/ou de Inspiração Zen

Eurico Gonçalves
Artistas Eurico Gonçalves
Curadoria Sara Antónia Matos / Pedro Faro
Data De 01/01/2018 a 30/04/2018
Sobre a exposição

Resultante de várias visitas ao ateliê de Eurico Gonçalves, situado no complexo de ateliês da CML, nos Coruchéus, por cima da Galeria Quadrum, onde o artista chegou a expor há várias décadas – 1978 –, esta exposição, organizada pelas Galerias Municipais/EGEAC em articulação com a Direcção Municipal de Cultura da CML, mostra uma selecção alargada de trabalhos inéditos – pinturas sobre papel –, do início da década de 1960, que são identificados pelo próprio artista como sendo obras de pintura gestual, informal e/ou caligráfica de inspiração Zen. Estas obras estiveram na posse de Rui Mário Gonçalves, conhecido crítico e historiador da arte, irmão do artista, até à sua morte, em 2014.
Influenciadas pelo surrealismo e dadaísmo, e também pela filosofia budista Zen – em 1963, D. T. Suzuki, autor Zen japonês, foi nomeado para o Prémio Nobel da Paz –, as propostas de Eurico Gonçalves, desde há muitas décadas, desenvolvem pressupostos plásticos e pictóricos automáticos, espontâneos, por vezes marcadamente informais, de cariz anti-académico, numa formulação que a partir da década de 1960 dá origem a um abstracionismo lírico, gestual, de carácter muito intuitivo. Expondo a nudez do suporte – papel –, Eurico Gonçalves, usando apenas tinta-da-china, valoriza as qualidades semióticas das manchas sobre o papel e pensa no trabalho do artista como uma forma de abordar a vida e o seu fluxo, sublinhando a continuidade entre arte e vida, com diferentes intensidades, vazios, dinâmicas e ritmos.
Os mais de cinquenta desenhos expostos mostram, assim, um pequeno período de experiências levadas a cabo por Eurico Gonçalves, fortemente marcado pelas propostas plásticas internacionais que circulavam pelo tecido cultural europeu e internacional – o próprio artista assume as suas várias influências – que resultam essencialmente da relação entre o inconsciente e a vitalidade do gesto criativo, mais e menos contido, fomentando o livre fluir do material pictórico, valorizando as intervenções do acaso, negando a forma, na construção de uma obra “sem correcção nem retoque que, quanto a mim, encontra afinidades com a atitude vitalista Dádá”, como refere o próprio.

Biografia

Eurico Gonçalves nasceu em 1932, em Abragão, Penafiel. Pintor e crítico de arte, membro da AICA, aderiu ao surrealismo em 1949. Em 1950-51, escreveu e ilustrou narrativas de sonhos, textos automáticos e poemas, fundindo palavras, desenhos e colagens numa só forma de expressão. As suas figuras iniciais deram progressivamente lugar a simples sinais gráficos, abstratos, gestuais. A partir de 1964, iniciou a publicação de artigos de divulgação e estudos sobre a expressão livre da criança, o dadaísmo, o “zen”, e a Escrita. Em 1966/67, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, onde trabalhou com o pintor Jean Degottex. Em 1972, prefaciou uma importante exposição de pintura de Henri Michaux, em Lisboa. Neste ano entrou para os corpos diretivos da SNBA cargo que terminaria em 1992. Expôs individualmente pela primeira vez em 1954, na Galeria de Março, Lisboa. Participou em inúmeras exposições de arte portuguesa e internacional. A sua obra encontra-se representada, nomeadamente, no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, no Museu do Chiado, na Culturgest, Lisboa, no Museu Amadeo de Souza Cardoso, Amarante, e na Fundação Cupertino de Miranda, Famalicão.

Mediação

Visita Guiada “Arte, Loucura e Saúde Mental”, pelo artista Eurico Gonçalves, todas as 4ªs feiras, das 16h às 18h.