Passado

2019

2018

 

Assentamento

Artistas António Bolota
Curadoria Sara Antónia Matos
Inauguração 01/02/2019 18:00
Data De 02/02/2019 a 14/04/2019
Folha de Sala

As Galerias Municipais/EGEAC apresentam ASSENTAMENTO de António Bolota, na Galeria Quadrum, com curadoria de Sara Antónia Matos.

A exposição de António Bolota na Galeria Quadrum enquadra-se num programa que tem como base a remodelação da histórica Galeria Quadrum, a qual reabriu as portas ao público em 11 de Outubro de 2018, devolvendo ao espaço expositivo a transparência arquitectónica e a amplitude que lhe eram originalmente características, permitindo estabelecer uma relação mais dinâmica com o exterior e a comunidade envolvente. Esta remodelação, que transforma o espaço expositivo numa longa nave, vazia, de paredes envidraçadas e luz rasante, condiciona a tipologia de exposições aí patentes, nomeadamente pela ausência de suportes expositivos, tais como paredes. Estas condicionantes parecem todavia ser extremamente convidativas para artistas que, mais do que ocuparem o espaço, se servem dele e das suas valências cruas, estruturais, como matéria de trabalho. Na nova linha de programação, a qual prevê a revisitação de momentos, artistas e exposições paradigmáticos da arte contemporânea, procurando pensar de que modo certos conceitos ou ideias continuam operantes na actualidade, havia que integrar artistas que conseguissem dar conta da nudez estrutural deste espaço, agora esvaziado e reduzido aos seus meios mínimos – algo porventura assustador. Ora, ninguém melhor para o fazer do que António Bolota, filiado numa relação gramatical, triangular, que se joga entre a arquitectura, a engenharia dos materiais e a escultura, para mostrar como o espaço pode ser trabalhado, ocupado, potenciado e mostrado nas suas valências próprias, sem qualquer apetrecho.

 

Segundo a curadora, Sara Antónia Matos, “é neste quadro de referências, comprometendo-se com a radicalidade deste convite, que pedia ao artista um envolvimento cru com o espaço, que surge a intervenção de António Bolota. Esta consiste em pôr à mostra um léxico gramatical ligado à escultura e à construção, tornando-a peça central, una, experiência fenomenologia e peripatética – exigindo do espectador uma movimentação, pelos extremos da galeria, ao longo do espaço. A área central, entre pilares, encontra-se integralmente ocupada. A peça é um depósito ou assentamento de fragmentos de escultura, de geometrias clássicas, em betão armado, colocados em camadas umas sobre as outras, e separadas por barrotes de madeira, sendo possível atravessar a extensão da peça – que se oferece como um reticulado – apenas com o olhar. A peça é composta por vários elementos que compõem o léxico fundamental da disciplina escultórica e de todas actividades ligadas à construção, um léxico que atravessa o tempo e nele permanece, silencioso, imóvel, como que afirmando e reafirmando a permanência das raízes disciplinares. Também por isso esta peça é um receptáculo de tempo, uma peça leve no aspecto e pesada em termos de massa, cuja luz a atravessa, permitindo questionar o que dessas raízes e princípios se mantém operante. O que faz com que uma obra de arte continue a ecoar através dos tempos, e mais que isso, qual a razão para se continuar a fazer escultura? A intervenção de António Bolota na Galeria Quadrum é uma escultura sobre o tempo e sobre a sobrevivência nele.

A peça é impressionante, não apenas por ser um colosso deitado que ocupa toda a galeria, não apenas pela sua dimensão massiva e pela sua complexidade construtiva – feitura que ocupou o artista durante meses. Ela é impressionante porque é uma homenagem à escultura e a todas as actividades construtivas, um hino à tectónica e sobretudo à história singular desta galeria, onde passaram artistas marcantes da história da arte portuguesa e onde se viveram momentos incontornáveis, testando e levando a cabo experimentações arrojadas, fosse pela sua nudez mais singela, fosse pela complexidade conceptual que implicavam.”

 

A exposição pode ser vista de terça a domingo das 10h às 13h e das 14h às 18h.

Biografia

António Bolota nasceu em Benguela (Angola, 1962) e veio para Portugal em 1975. Fornou-se em Engenharia Civil pelo ISEL (1981-1985) mantendo o exercício desta atividade até à presente data. Iniciou a sua formação artística em Desenho e Pintura, entre 1994 e 1998, na Escola «Oficina das Artes» e na Cooperativa «Atitude», ambas em Cascais. Ingressou em 2001 na ArCo onde deu continuidade a esta formação, desenvolvendo os seus conhecimentos em Estética, História de Arte e Prática do Desenho, até 2003. De 2004 a 2007, na mesma Escola, frequentou o curso de Escultura. Concluiu a sua formação artística ao frequentar o Curso Avançado do ArCo entre 2006 e 2008. Iniciou a sua prática artística em 2006 com a exposição coletiva «Sem Título» («Telhados») na Interpress em Lisboa, e desde então tem vindo a expor regularmente o seu trabalho.

 

 

Visita Guiada

Visitas Guiadas – Escolas

terça a sexta-feira

Marcação Prévia: servicoeducativo@galeriasmunicipais.pt

 

Visitas Guiadas – Público Geral

9 e 16 fev

2, 9, 16, 23 e 30 março

6 e 13 abril

15h30 às 16h30

 

Vaivém

Bruno Pacheco
Artistas Bruno Pacheco
Curadoria EGEAC/Galerias Municipais / Fundação Carmona e Costa
Inauguração 11/10/2018 18:00
Data De 12/10/2018 a 13/01/2019
Folha de Sala

A exposição que Bruno Pacheco (Lisboa, 1974) agora apresenta na Galeria Quadrum é composta por cerca de quatrocentas pinturas sobre papel, numa selecção de obras que recobre o seu percurso na última década. Organizadas em livros folheáveis, dispostos sobre mesas desenhadas especificamente para o efeito, estas obras não só permitem mergulhar profundamente no imaginário pictórico de Bruno Pacheco, como saem deliberadamente do seu lugar tradicional na parede da galeria para se darem a ver de um modo que se quer mais directo, mais próximo e mais orgânico.

O título desta exposição – Vaivém – remete tanto para o movimento implicado no circundar as vinte e duas mesas da exposição, quanto para a noção de viagem que os conteúdos propõem. Se, por um lado, as sequências estabelecidas dentro de cada livro possibilitam deambular por diferentes temas, perscrutar uma mesma cena ou atravessar pequenas narrativas, por outro, as relações que o artista sugere ao agrupar ou estabelecer determinadas vizinhanças entre livros estimulam uma leitura elíptica em cujos intervalos se funda o espaço da subjectividade do visitante.

Mais do que a oportunidade para aferir a crescente relevância de um dos mais internacionais artistas portugueses da actualidade, Vaivém é o veículo que nos permite aceder ao centro nevrálgico da prática de Bruno Pacheco – ao lugar onde se estabelecem todos os nexos, onde se trata toda a iconografia e se urdem todas as relações pictóricas do seu universo referencial. É lá, também, que o artista zela pela manutenção do equilíbrio sensível entre os desafios contidos nas suas escolhas artísticas e a resposta que elas oferecem a uma contemporaneidade que assiste a uma erosão sem precedentes do valor simbólico da imagem.

Biografia

Bruno Pacheco estudou Pintura na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa e no Goldsmith College em Londres. De entre as suas inúmeras exposições, destaque para as presenças no Barbican Center (Londres), MUDAM (Luzemburgo), Bloomberg Space (Londres), Beijing Biennale (Beijing), Whitechapel Gallery (Londres), Mackintosh Museum (Glasgow), Museu de Serralves (Porto), Van Abbemuseum (Eindhoven) ou Bienal de São Paulo. Em Portugal, a sua obra foi alvo de exposições individuais em instituições como Culturgest Lisboa, Culturgest Porto ou Casa das Histórias Paula Rego. Bruno Pacheco foi bolseiro do IAC (1999) e da Fundação Gulbenkian (2000/01 e 2004/05). Em 2004 recebeu o Red Mansion Prize e, no ano seguinte, o Prémio União Latina. Este ano de 2018 foi um dos recipientes da bolsa internacional da Fundación Botín e estará presente na próxima Bienal de Sharjah.

Visita Guiada

Visita Guiada ao Sábado
8, 15 e 29 Dezembro / 5 e 12 Janeiro
15h30 às 16h30

Público Geral
Gratuita

Visitas Guiadas Escolas
Ensino Secundário e Ensino Superior
de terça a sexta-feira
Marcação Prévia: serviçoeducativo@galeriasmunicipais.pt

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Pintura Gestual, Informal, Caligráfica e/ou de Inspiração Zen

Eurico Gonçalves
Artistas Eurico Gonçalves
Curadoria Sara Antónia Matos / Pedro Faro
Data De 01/01/2018 a 30/04/2018
Folha de Sala

Resultante de várias visitas ao ateliê de Eurico Gonçalves, situado no complexo de ateliês da CML, nos Coruchéus, por cima da Galeria Quadrum, onde o artista chegou a expor há várias décadas – 1978 –, esta exposição, organizada pelas Galerias Municipais/EGEAC em articulação com a Direcção Municipal de Cultura da CML, mostra uma selecção alargada de trabalhos inéditos – pinturas sobre papel –, do início da década de 1960, que são identificados pelo próprio artista como sendo obras de pintura gestual, informal e/ou caligráfica de inspiração Zen. Estas obras estiveram na posse de Rui Mário Gonçalves, conhecido crítico e historiador da arte, irmão do artista, até à sua morte, em 2014.
Influenciadas pelo surrealismo e dadaísmo, e também pela filosofia budista Zen – em 1963, D. T. Suzuki, autor Zen japonês, foi nomeado para o Prémio Nobel da Paz –, as propostas de Eurico Gonçalves, desde há muitas décadas, desenvolvem pressupostos plásticos e pictóricos automáticos, espontâneos, por vezes marcadamente informais, de cariz anti-académico, numa formulação que a partir da década de 1960 dá origem a um abstracionismo lírico, gestual, de carácter muito intuitivo. Expondo a nudez do suporte – papel –, Eurico Gonçalves, usando apenas tinta-da-china, valoriza as qualidades semióticas das manchas sobre o papel e pensa no trabalho do artista como uma forma de abordar a vida e o seu fluxo, sublinhando a continuidade entre arte e vida, com diferentes intensidades, vazios, dinâmicas e ritmos.
Os mais de cinquenta desenhos expostos mostram, assim, um pequeno período de experiências levadas a cabo por Eurico Gonçalves, fortemente marcado pelas propostas plásticas internacionais que circulavam pelo tecido cultural europeu e internacional – o próprio artista assume as suas várias influências – que resultam essencialmente da relação entre o inconsciente e a vitalidade do gesto criativo, mais e menos contido, fomentando o livre fluir do material pictórico, valorizando as intervenções do acaso, negando a forma, na construção de uma obra “sem correcção nem retoque que, quanto a mim, encontra afinidades com a atitude vitalista Dádá”, como refere o próprio.

Biografia

Eurico Gonçalves nasceu em 1932, em Abragão, Penafiel. Pintor e crítico de arte, membro da AICA, aderiu ao surrealismo em 1949. Em 1950-51, escreveu e ilustrou narrativas de sonhos, textos automáticos e poemas, fundindo palavras, desenhos e colagens numa só forma de expressão. As suas figuras iniciais deram progressivamente lugar a simples sinais gráficos, abstratos, gestuais. A partir de 1964, iniciou a publicação de artigos de divulgação e estudos sobre a expressão livre da criança, o dadaísmo, o “zen”, e a Escrita. Em 1966/67, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, onde trabalhou com o pintor Jean Degottex. Em 1972, prefaciou uma importante exposição de pintura de Henri Michaux, em Lisboa. Neste ano entrou para os corpos diretivos da SNBA cargo que terminaria em 1992. Expôs individualmente pela primeira vez em 1954, na Galeria de Março, Lisboa. Participou em inúmeras exposições de arte portuguesa e internacional. A sua obra encontra-se representada, nomeadamente, no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, no Museu do Chiado, na Culturgest, Lisboa, no Museu Amadeo de Souza Cardoso, Amarante, e na Fundação Cupertino de Miranda, Famalicão.

Visita Guiada

Visita Guiada “Arte, Loucura e Saúde Mental”, pelo artista Eurico Gonçalves, todas as 4ªs feiras, das 16h às 18h.