Objectos em Eterno Colapso

João Ferro Martins

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As Galerias Municipais têm o prazer de apresentar uma exposição individual do artista João Ferro Martins (*1979, Santarém). Deambular pelas quatro salas do Pavilhão Branco de Lisboa e pela exposição Objectos em Eterno Colapso faz-nos sentir como se estivéssemos a pisar um palco ou cenário de teatro. A exposição Objectos em Eterno Colapso evoca um sistema planetário absorvido por buracos negros onde a humanidade atinge o fim, renascendo num processo de eterna renovação.

Ao entrar no pavilhão, o público concorda em participar numa narrativa provocadora de imagéticas que se desdobram numa passagem circular. O percurso pelo Pavilhão Branco segue a habitual visita em estilo fita de Möbius. Vêm à mente as imagens de noticiários que mostram a devastação depois da passagem de um furacão ou tsunami por uma área costeira. Somos confrontados com um grupo de objetos que poderiam ter estado expostos na montra de uma loja, mas que agora foram descartados. Encontramo-nos na distopia, elegantemente orquestrada no chão alcatifado e mascarada por cortinas que flutuam nas galerias de vidro do pavilhão.

De um ambiente de atelier somos catapultados para um estúdio de gravação improvisado. Deambulando em torno de metáforas escultóricas, somos novamente recordados do facto de que a música não é matéria física, mas efémera. Objectos em Eterno Colapso contrasta os vestígios de um furacão com o asseio organizado de uma era passada da indústria discográfica. As galerias do piso superior albergam dezenas de altifalantes encontrados, numa referência à instalação sonora (silenciada) que tem vindo a surgir em múltiplas ocasiões no trabalho do artista. Os discos de vinil expostos em analogia constituem uma alusão ao som e à música, elementos de destaque na prática do artista. No entanto, este suporte está misteriosamente ausente desta exposição, exceto sob a forma da edição de um disco de vinil lançado em breve.

Para esta gesamtkunstwerk apresentada no Pavilhão Branco, João Ferro Martins selecionou ainda objetos da coleção do Staatliche Kunstsammlungen Dresden – Archiv der Avantgarden. É apresentada uma ampla gama de referências visuais, incluindo clássicos de vinil da década de 1950 (Karlheinz Stockhausen) até aos anos 80 (Laurie Anderson) e 90 (Meredith Monk), passando por Fluxus (Philip Corner, Ben Vautier), poesia sonora (Sten Hanson) ou música concreta (Pierre Henry), e até o seminal I am sitting in a Room (1969) de Alvin Lucier, que explora as frequências ressonantes da sala em que se está sentado. Ferro Martins sugeriu igualmente que a sua obra inspira a noção de corpos que são musicados, corpos que seguem a sua partitura escultórica. Se o Pavilhão Branco é uma caixa de ressonância para a nossa voz, com as esculturas do artista a proporcionarem um comentário adicional então, os sons das aves que se aninham nas copas das árvores circundantes e dos pavões que habitam o jardim do museu também contribuem para as esferas sonoras iminentes que aqui encontramos.

Por ocasião da exposição Objectos em Eterno Colapso, de João Ferro Martins, as Galerias Municipais irão lançar uma edição limitada em vinil com as composições do artista. Ana Teresa Ascenção é a responsável pelo design da publicação.

João Ferro Martins licenciou-se em Belas Artes pela ESAD, Caldas da Rainha. Atualmente, vive e trabalha em Lisboa. As suas exposições recentes incluem: condition report, 3+1 Arte Contemporânea, Lisboa (2020); Wait, Museu Berardo, Lisboa (2019); Ciclo Cosmo/Política #2 – Conflito e Unidade, Museu do Neorrealismo, Vila Franca de Xira (2018); Germinal – O Núcleo Cabrita Reis na Coleção de Arte Fundação EDP, MAAT, Lisboa (2018); e THEM OR US! Um Projecto de Ficção Científica Social e Política, Galeria Municipal do Porto, Porto (2017).

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27.01.2021
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