Expanding Concert

Mattin, Margarida Garcia, Ana Teixeira Pinto

Mattin Hrvoje Goluza

Expanding Concert (2019-2023) é um concerto de quatro anos distribuído no tempo e no espaço através de diferentes meios: 5 intervenções públicas em 5 Galerias Municipais diferentes em Lisboa e resultando em 5 textos.

O concerto começou com o convite para um único artista, mas se expandirá gradualmente, primeiro interagindo com o público, depois pedindo documentação aos escritores que respondam a cada intervenção e, finalmente, convidando outros músicos a colaborar nas próximas intervenções. O primeiro concerto teve lugar em Dezembro de 2019 na Galeria Boavista com uma resposta de Bárbara Silva.

O segundo concerto explorará a noção de chamada e resposta na improvisação de forma expandida: cada intervenção pública é uma forma de chamada. Para a próxima intervenção Margarida Garcia foi convidada a juntar-se e responder ao texto como uma forma de abrir o processo. A crítica Ana Teixeira Pinto também foi convidada a participar na intervenção e a escrever um texto posteriormente. Essas respostas tentarão contextualizar a intervenção em relação à situação artística, política e econômica de Lisboa na época. Para a intervenção a seguir, outro músico / artista será solicitado a participar e responder ao texto. Cada intervenção pública funciona como uma proposição que explora nossa auto-percepção em determinado momento e local. As respostas serão escritas fora do olhar público, ocupando seu tempo e permitindo refletir sobre questões mais amplas, como as diferentes mudanças urbanas que acontecem na cidade.

As intervenções são documentadas e ao final haverá uma publicação com a documentação e os textos. Expanding Concert (2019-2023) é um longo concerto improvisado, e uma tentativa de pensar historicamente enquanto está acontecendo.

Mattin é um artista de Bilbau – que vive em Berlim – e trabalha com música noise e improvisação. O seu trabalho procura abordar as estruturas sociais e económicas da produção artística sonora e experimental, através de performances ao vivo, gravações e escrita. Utilizando uma abordagem concetual, ele pretende questionar a natureza e os parâmetros da improvisação, e especificamente a relação entre a ideia de ”liberdade” e a constante inovação que esta implica tradicionalmente, assim como as convenções estabelecidas da improvisação como género artístico. Mattin considera a improvisação não apenas como uma interação entre artistas e instrumentos, mas também como uma situação que envolve todos os elementos que constituem uma apresentação pública, incluindo o público e o espaço social e arquitetónico. Ele tenta explorar a relação estereotipada entre a atividade do artista e a passividade do público, produzindo uma sensação de estranheza e alienação que perturba este relacionamento. Mattin concluiu recentemente o doutoramento na Universidade do País Basco, sob a supervisão de Ray Brassier e Josu Rekalde. Juntamente com Anthony Iles, coeditou o livro Noise & Capitalism em 2009. Em 2012, o CAC Brétigny e a Tuamaturgia publicaram Unconstituted Praxis, um livro que compila os seus textos, entrevistas e resenhas de performances nas quais participou. Ambos os livros estão disponíveis online. Mattin participou da documenta14 em Atenas e Kassel em 2017.

Margarida Garcia (Lisboa, 1977) tem vindo a desenvolver desde meados dos anos noventa uma linguagem muito pessoal e distinta para o contrabaixo eléctrico. Ela vai muito além da práxis de improvisação contemporânea com uma ligação profunda para o underground psicadélico contemporâneo. Antes de mudar para Nova Iorque em 2004, onde viveu durante sete anos e foi encontrada a tocar regularmente em concertos com Loren Connors e Marcia Bassett, era uma figura muito presente no som underground de Lisboa. Ali conheceu o guitarrista Manuel Mota, colaborador próximo desde o seu início musical. A primeira publicação conjunta remonta a 1998. As suas explorações no espaço do arco, na sua maioria escuramente dramático, em território profundamente lamacento e silencioso, foram também encontradas em colaborações com Thurston Moore, David Maranha, Gabriel Ferrandini, Filipe Felizardo, Barry Weisblat e Nöel Akchoté, entre outros. Desde 2014 vive entre Lisboa e Antuérpia, onde trabalha frequentemente com a Graindelavoix (Björn Schmelzer) nos seus vários empreendimentos artísticos. A colaboração com Mattin começou em 2003 com a sua dupla “for permitted consumption”, e estendeu-se a várias performances ao vivo e publicações incluindo Kevin Failure, Loy Fankbonner, Billy Bao, Tim Barnes, Eddie Prévost, Rhodri Davies, Mark Wastell, Emma Heditch e o artista de Fluxus Jeff Perkins.

Ana Teixeira Pinto é uma escritora e teórica cultural baseada em Berlim. É professora no DAI (Dutch Art Institute) e investigadora na Universidade de Leuphana, Lüneburg. Os seus textos foram publicadas em publicações como Afterall, Springerin, Camera Austria, e-flux, art-agenda, Mousse, Frieze, Domus, Inaesthetics, Manifesta Journal, ou Texte zur Kunst. É a editora do The Reluctant Narrator (Sternberg Press, 2014) e, juntamente com Eric de Bruyn e Sven Lütticken, edita uma série de livros sobre contra-histórias, a ser publicada pela Sternberg Press.

21.10 – 16h
Expanding Concert – Ensaio geral aberto ao público

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