Qualquer coisa de Intermédio

Catarina Botelho

Publicação referente à exposição homónima que esteve patente no Pavilhão Branco entre janeiro e julho de 2020. Composta por um texto da curadora da exposição, Sandra Vieira Jürgens, um ensaio visual do artista Francisco Pinheiro, a transcrição parcial de uma conversa entre Catarina Botelho e o professor André Barata, dois textos das investigadoras Marta Echaves e Joana Braga e um texto de Catarina Botelho. O projeto de design é de vivóeusébio, cada contribuição autoral detém uma identidade visual própria, mas unívoca no todo, inserida num delicado envelope.

“Parar é uma necessidade, eu diria, psicológica e antropologicamente cada vez mais urgente do ponto de vista de uma «desopressão», de desoprimirmos, mas é também uma necessidade que tem de ser politizada de outra maneira, mais tarde ou mais cedo.”
– André Barata

“Esta cidade não termina até que termina | muitas cidades vão-se rarefazendo à medida que nos afastamos do seu centro, | e misturam-se edifícios e terrenos de vários tipos | aqui não, esta é uma cidade densa até ao fim |E de repente acaba | acaba-se o cimento, o pó, | e estamos num descampado, numa horta, num bosque”
– Catarina Botelho

“Focar a atenção nos pés, no seu contacto com o chão. Seguir a sequência de apoios entre o teu pé e a tua anca, que te permitem obter o equilíbrio no andar. Quando o corpo se prepara para dar o passo em frente, procurar sentir o ponto exacto de desequilíbrio. Permite-me andar lentamente, como quem procura metais na praia.”
– Francisco Pinheiro

“Este seria um texto em torno da necessidade de escutar e olhar de novo as cidades que habitamos, procurando nelas fissuras que escapem aos processos de crescente privatização e mercantilização que parecem decidir o seu destino. Um texto que se deteria no carácter dessas fissuras, linhas que fracturam o regime de produção espacial que prevalece na cidade; na condição dos espaços e lugares que lhe são estranhos, onde se podem vislumbrar traços de formas de habitação outras.”
– Joana Braga

“A potencialidade háptica da fotografia está relacionada com o momento em que a visão descobre em si própria uma função de tacto que lhe é inata e que é diferente da sua função óptica. Fotografamos com os olhos, mas só porque eles nos permitem tocar. Nestas fotografias há qualquer coisa disso, do tacto que olha. Por isso entendo que a Catarina me diga que para ela são como esculturas. E por isso falo de como amar aquilo que se fotografa, porque há uma colisão em intimidade, um corpo a corpo que deixa uma marca naquele que quando vê, toca, e quando é tocado, é visto.”
– Marta Echaves

“A reflexão sobre outras formas de viver a cidade manifesta-se nestas obras de Catarina Botelho tanto na atenção fotográfica que lhe merecem as construções precárias e ocupações temporárias, como na análise que o filme O Tempo das Coisas opera sobre a condição do sujeito contemporâneo num regime produtivista cujos valores pragmáticos e utilitaristas tentam instrumentalizar e governar todos os planos da vida humana.”
– Sandra Vieira Jürgens

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Exposição Relacionada

Data
Título
Artistas
Curadoria
Galeria
19.01.2020
– 05.07.2020
Qualquer Coisa de Intermédio
Catarina Botelho
Sandra Vieira Jürgens
Pavilhão Branco