Brama

Mané Pacheco

Mané pacheco divulgacao
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A prática artística de Mané Pacheco investiga zonas de contacto instáveis entre natureza, tecnologia e produção industrial, propondo ecologias híbridas em que organismos, materiais e infraestruturas se tornam indistinguíveis. A artista incorpora substâncias potencialmente tóxicas ou contaminadas que estão longe de funcionarem apenas como vestígios críticos de uma economia do desperdício. Do seu trabalho surgem dispositivos visuais que evocam criaturas-intrusos, formas ambíguas entre organismo e artefacto que parecem emergir de ecossistemas perturbados.

Em Brama, Mané Pacheco transforma o espaço expositivo num território atravessado por uma vibração que percorre uma paisagem reconhecível na sua (de)formação ontológica. A brama — o bramido grave emitido pelos cervídeos durante o período de cio — é um som de presença e de disputa, um gesto através do qual a criatura ocupa o território e afirma o corpo. Mais do que uma referência zoológica, a brama introduz na exposição uma intensidade quase ritual, instalando um campo de tensão entre atração, confronto e reprodução. Neste ambiente, as obras surgem como seres híbridos, construídos a partir de matérias orgânicas e resíduos provenientes de economias vernaculares de reaproveitamento. A exposição (re)configura assim um ecossistema de materiais, corpos e detritos reorganizados em organismos mutantes, sugerindo formas de vida resilientes nas zonas de fricção entre natureza e indústria.

– Ana Cristina Cachola, curadora

Descarregue aqui a Folha de Sala para Crianças.

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