Erosão

Zia Soares

Entre as imagens criadas por Mónica de Miranda e as palavras de Amílcar Cabral, Zia Soares busca o não visto de “Mirages and Deep Time” e o não ouvido em “Para a defesa da terra”, atuando com ações que se desencadeiam através de processos erosivos, que de forma continuada ou simultânea, desgastam, transportam e sedimentam ilusões, erros, realidades, verdades. O porvir se encontra no corpo e na voz da performer que aqui é terra. Só nela o futuro se antecipa.

Esta performance surge de uma leitura dos estudos agrários de Amílcar Cabral, põe em jogo as relações entre o solo e a memória, entre ecologia e resistência, tópicos que dominam a exposição através das fotografias, do filme e as esculturas apresentadas por Mónica de Miranda. Zia Soares propõe uma intervenção performativa para aprofundar as ligações entre o passado presente e o futuro do ecológico e a resistência anti-colonial.

“Uma característica da natureza é o seu estado de movimento e transformação perpétuos, de renovação e desenvolvimento incessantes. Nela há sempre algo que aparece e se desenvolve, alguma coisa que se desagrega e desaparece. Tudo na natureza apresenta um lado positivo e um negativo, um passado e um futuro, elementos que desaparecem e outros que se desenvolvem. O solo – corpo natural, independente, histórico e dinâmico – não faz exceção a essa lei natural de transformação constante, inerente à Natureza. Pelo contrário, transformações incessantes (qualitativas e quantitativas) constituem a característica fundamental do conteúdo interno do desenvolvimento do solo.” – (Excerto sobre “o conceito de erosão do solo” dos Estudos Agrários de Amílcar Cabral (1988), p. 101)

Autoria e Interpretação: Zia Soares

Figurino: Neusa Trovoada

Produção: SO WING

Zia Soares é encenadora e atriz. Filha de pai timorense e mãe angolana, nasceu em Angola, reside em Portugal e trabalha regularmente na Guiné Bissau, em São Tomé e Príncipe e em Portugal. Dos seus mais recentes trabalhos destacam-se: LUMINOSO AFOGADO, a partir de Al Berto; O Riso dos Necrófagos, de sua autoria, nomeado para Melhor Espetáculo no âmbito do International Prize of Teresa Pamodoro (Itália); Uma dança das florestas, de Wole Soyinka; e FANUN RUIN, de sua autoria. O seu trabalho desenvolve-se sempre em estreita colaboração com artistas interdisciplinares como Kiluanji Kia Henda, Mónica de Miranda, Neusa Trovoada ou Xullaji. Zia Soares é uma artista apoiada pela apap – Feminist Futures, um projeto co-financiado pelo Programa Europa Criativa da União Europeia.

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Exposição Relacionada

Data
Título
Artistas
Curadoria
Galeria
21.07.2022
– 25.09.2022
Mirages and Deep Time
Mónica de Miranda
Azu Nwagbogu
Galeria Avenida da Índia